POR MARCELO BERNARDES

Segundo uma pesquisa feita por pesquisadores de Harvard, MIT e Universidade de Montreal e publicada no Aeon, 77% dos profissionais de marketing norte-americanos planejam usar “dreamtech advertising” nos próximos três anos.

 O assunto é polêmico, mas não é de hoje que estudamos jeitos de hackear o sono. A técnica de incubar o sonho passa por apresentar estímulos antes e durante o momento em que você está dormindo. Ela foi desenvolvida com outros propósitos e tem apresentado resultados satisfatórios para tratamentos médicos como o do transtorno de estresse pós-traumático.

 A novidade (já esperada) é que estamos próximos de conseguir usá-la com propósitos comerciais. Mas será que devemos? O estudo “2021 Future of Marketing” pesquisou 500 consumidores nos EUA, dos quais apenas 32% declararam ser contrários ao uso de incubação de sonho na publicidade e outros 30% declararam não ter opinião formada.

 Os testes já estão por aí. Na noite anterior ao Super Bowl LV, a marca de cerveja americana Molson Coors realizou o maior estudo do sono. Chamaram um psicólogo de Harvard para desenhar um estímulo (vídeo abaixo) capaz de incubar o sonho que misturava imagens com conteúdos de marca.

Dois dos autores haviam trabalhado no Dormio: um wearable de incubação de sonho. Com sensores ligados a um dispositivo, ele forçava os usuários a pensar em coisas que variavam desde uma árvore até problemas complexos. Esse experimento mostrou que podemos fazer usos positivos da tecnologia. Se pensarmos sob a óptica de biohacking, os testes revelaram ser possível estimular a criatividade em cima de determinado assunto. Os relatos dados sobre os temas por pessoas que tiveram incubação do sonho eram sensivelmente mais criativos do que o grupo controle. Já imaginou o poder disso em uma agência de publicidade?

 Projetos como o Dormio são evoluções de wearables que já estão presentes nas nossas vidas. Pulseiras, caixas de som e relógios já são capazes de produzir dados para analisar os nossos comportamentos e é natural imaginar que em um futuro próximo eles deixem de ser só passivos e passem a ativamente interferir no nosso comportamento. Por mais que pareça invasivo, eu vejo esse movimento com bons olhos. Se usados com responsabilidade, são ferramentas que podem potencializar a nossa performance humana.

 Tudo ainda é muito novo e o processo de pesquisa é importante para desenvolvermos novos caminhos tecnológicos. Mas, como toda inovação, traz uma série de dúvidas. A principal delas é se devemos nos antecipar e regular a prática. Vamos acompanhar os próximos capítulos. E você? Aceitaria suas marcas favoritas conversando com você enquanto dorme?

SOBRE O AUTOR

Marcelo Bernardes é CEO da Purple Cow