Embora haja diversos apps que ajudem as pessoas a se locomover pelas ruas da cidade, a maioria deles requer que o usuário olhe ou ouça um dispositivo portátil. Esta normalmente não é uma boa solução para portadores de deficiências visuais que gostariam de usar a audição para saber o que está acontecendo ao seu redor e, em geral, já estão usando as mãos para carregar uma bengala.

É por isso que o engenheiro Wataru Chino fundou a Ashirase para construir dispositivos internos para sapatos que vibram para ajudar usuários deficientes visuais a navegar por lugares desconhecidos enquanto mantêm as mãos livres.

Os dispositivos da Ashirase podem ser inseridos em tênis normais e muitos tipos de sapato social e são conectados a um smartphone para fornecer instruções passo-a-passo quando um destino é digitado ou falado. Mas, em vez de sinalizar onde virar de maneira visual ou auditiva, algo que pode ser uma distração ou simplesmente difícil de ouvir, o dispositivo pode vibrar na parte esquerda, direita ou frontal do sapato para indicar a direção. Nas esquinas em que é necessário virar, o dispositivo antes vibra de forma mais ampla, sinalizando uma parada, explica Chino. 

A ideia veio quando a avó da esposa do inventor, que era portadora de deficiência visual, morreu ao escorregar e cair quando andava próximo a um rio, disse ele através de um intérprete na conferência de imprensa. A tragédia o motivou a pensar em formas de ajudar pessoas com problemas de visão a andar com segurança sem depender da ajuda de outras pessoas.

A Ashirase, anunciada no último mês, é a primeira empresa lançada através do programa Honda’s Ignition, que ajuda funcionários da empresa a comercializar suas ideias. Chino trabalhou anteriormente para a Honda na pesquisa e desenvolvimento de motores híbridos e automação. O nome da sua nova empresa vem das palavras pé e notificação em japonês.

A navegação por áreas urbanas tornou-se um grande desafio para pessoas com deficiência visual durante os lockdowns na pandemia do coronavírus, explica Chino. Isso porque os padrões característicos do trânsito, sons e odores mudaram com o fechamento dos negócios, e membros da família e auxiliares tornaram-se menos disponíveis para ajudar as pessoas a chegarem ao seu destino. 

Os dispositivos — que a Ashirase pretende lançar em uma versão beta limitada neste ano, com o objetivo de um lançamento amplo ano que vem – não são projetados para substituir completamente outras formas de auxílio. Uma vantagem de ter o dispositivo localizado no sapato do usuário é que ele não interfere com outros equipamentos, como as bengalas de ponta branca que muitos deficientes visuais usam. Os dispositivos provavelmente irão desviá-los de obstáculos, como fechamento de pistas, usando dados de mapas ou informações obtidas de outros usuários. Usar os sentidos ainda será necessário para determinar se há outras coisas bloqueando a calçada ou quando é seguro atravessar a rua.  

Chino quer que os dispositivos sejam disponibilizados através de uma assinatura mensal de 2,000 a 3,000 yen, que é cerca de US$18 a US$28 no câmbio atual. Embora tenha sido criada no Japão, a empresa espera que a tecnologia seja disponibilizada em outros lugares, incluindo nos Estados Unidos e na União Europeia.

Hoje, os dispositivos também estão projetados para ambientes externos baseando-se em sistemas de GPS ou similares, mas os modelos futuros ou atualizações podem incorporar informações de navegações e outros sinais como Wi-Fi para ajudar as pessoas a encontrarem-se em ambientes internos, como shoppings. Eles também podem ser capazes de trabalhar com dados de tráfego para ajudar os usuários a navegarem em viagens que incluem transporte público, diz Chino.

Outra evolução potencial do produto que atualmente está projetado para durar três horas por dia após uma carga semanal é mais orientada ao estilo: torná-lo compatível com uma maior gama de sapatos. 

SOBRE O AUTOR

Steven Melendez é um jornalista independente que mora em New Orleans.