POR CLAUDIA PENTEADO

Ciente das  inúmeras barreiras que enfrentaria especialmente na área esportiva para “conseguir espaço, ser ouvida e acreditada”,  Bruna Botelho conta que uma de suas escolhas mais assertivas foi adotar uma conduta ética, persistente e ágil. Especialista em criptoativos, NFTs e inovação financeira, Bruna é fundadora e CEO da FinSportech StadiumGO! Sports Invest, criada em fevereiro passado com o objetivo de democratizar o investimento no esporte e no entretenimento, promover a educação financeira por meio do esporte, da digitalização de processos dos clubes e torcedores – além de destinar parte dos lucros para categorias de base dos clubes ou iniciativas sociais e culturais das comunidades. Neste bate-papo com a Fast Company Brasil, ela dá sua visão sobre inovação,  habilidades nos tempos atuais, entre outros temas importantes. 

O que é inovação para você?

Inovação na prática é um ato de coragem antes de qualquer coisa, porque, para o empreendedor, além de conhecimento e operação, demanda resiliência. Explicar e criar a cultura do “novo” às vezes é mais difícil do que criá-lo. Já no conceito, a inovação pode ser criar algo 100% autoral ou implementar melhorias e causar a reformulação sofisticada e mais ágil de metodologias, serviços, produtos ou tecnologias já existentes. Estas adaptações, que eu chamo de pequenas inovações, têm o poder de gerar a ressignificação de mercados e da relação de consumo do público, ao ponto de até criar novas cadeias de consumo e públicos-alvo. 

Qual a habilidade mais importante nos tempos atuais?

Na minha visão é a capacidade analítica, pois quem a domina tem maior performance para duas necessidades fundamentais para a saúde de um negócio: a resolução de problemas e estratégias de crescimento. Porque a capacidade analítica vem da construção do racional baseada em análise lógica, sem a interferência emocional. Assim, é possível sugerir soluções e ideias mais inovadoras e assertivas. Além disso, geralmente quem tem esta skill, tem maior predisposição a ter “senso de dono”, o que proporciona um olhar mais voltado aos resultados de longo prazo, preocupações com liderança e bem-estar geral do ecossistema da empresa, incluindo o da equipe e por condutas mais éticas. 

O que o conceito de sustentabilidade representa no seu negócio?

Nós defendemos o ambiental e a sustentabilidade, porém em tecnologia ainda há desafios neste sentido. Assim, a nossa atenção está em apoiar o mercado esportivo e torná-lo autossustentável. Disponibilizamos aquisição de crédito de baixo custo às entidades esportivas, ajudando a ter capital de giro e fluxo de caixa saudável. Ao mesmo passo geramos transformação socioeconômica, pois nossa inovação financeira tem a capacidade de incluir pessoas de baixa renda no mercado de investimentos.

O que significa qualidade de vida para você?

Para mim a qualidade de vida está mais relacionada a como me sinto com minhas escolhas e ações no meu dia a dia, seja em casa com minha família ou no trabalho com minha equipe, parceiros e clientes. Ter consciência de quem sou, definir e seguir princípios, agir dando o meu melhor e sem preguiça, me gera a tranquilidade que está por trás do conceito real de qualidade de uma vida plena. É a tal “consciência leve e ir dormir sem peso no travesseiro”.

Qual o seu conselho para quem quer ter sucesso nos negócios e na vida?

Ser consciente, persistente e analítico. Eu tenho experiência no mercado esportivo, que é predominantemente masculino em todo o mundo. Apenas 5% das mulheres atuam em cargos C-Level. Além disso, atuo neste setor com finanças e tecnologia, que ainda são assuntos tabu no Brasil para muita gente. Então, conseguir espaço, ser ouvida e acreditada nunca foi fácil! Logo percebi que o que permitiria ter êxito, no trabalho e na vida, seria uma conduta ética, persistente e ágil. A consciência e a ética estão em saber que podemos errar, mas não por ter uma intenção ruim. A persistência e agilidade estão em saber admitir o erro, ter humildade para aprender com ele e consertar rápido. Ser analítico é o que permite errar menos, ser criterioso e inovar melhor.

 

SOBRE A AUTORA

Claudia Penteado é editora chefe da Fast Company Brasil.