Meta vai estender a russos ferramentas para restringir o acesso a seus perfis no Facebook

Crédito: Fast Company Brasil

Mark Sullivan 3 minutos de leitura

A Meta anunciou que disponibilizou aos usuários do Facebook na Ucrânia recursos especiais de segurança para bloquear seus perfis e remover o acesso de terceiros à lista de amigos. A empresa teme que militares russos ou seus apoiadores possam atacar os ucranianos por meio de suas contas na rede social. O chefe de política de segurança da empresa, Nathaniel Gleicher, disse à Fast Company em um tweet que essas medidas devem ser estendidas a usuários na Rússia.

Afinal, militares russos poderiam usar a rede social para identificar os cidadãos que criticaram a invasão à Ucrânia ou que saíram às ruas para protestar. O risco de isso acontecer pode aumentar, caso a invasão se arraste por muito mais tempo ou se a opinião pública se mantiver contrária. Na Rússia, cidadãos que protestam contra o governo são punidos com multa, detenção e perda de emprego.

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O recurso de segurança anunciado pela Meta oferece aos usuários do Facebook uma ferramenta de bloqueio de perfil em uma única etapa, explica uma postagem no blog oficial. Quando o perfil de um usuário está bloqueado, “pessoas que não são seus amigos não podem baixar, ampliar ou compartilhar sua foto de perfil, nem podem ver postagens ou outras fotos no perfil de alguém, independentemente de quando foram feitas as postagens.”

A empresa diz que forneceu novas ferramentas de segurança para usuários do Messenger na Ucrânia, como “implementação rápida de notificações para capturas de tela de mensagens que desaparecem em nossos bate-papos criptografados de ponta a ponta”.

COMBATENDO A PROPAGANDA POLÍTICA

Tanto a Meta quanto o YouTube tomaram medidas nos últimos dias para evitar o compartilhamento de desinformação e propaganda política na Ucrânia.

A empresa de Zuckerberg anunciou na sexta-feira ( dia 04) que proibiria anúncios pagos de canais de notícias controlados pelo Estado russo, como RT e Sputnik. Esses veículos também não poderão mais lucrar com o alto número de visualizações de suas páginas ou conteúdo nas plataformas.

“Estamos em contato com o governo da Ucrânia. A pedido, restringimos o acesso a várias contas no país, incluindo aquelas que pertencem a organizações de mídia estatal russa. Também estamos analisando outras solicitações do governo para restringir a mídia controlada pelo Estado russo”, disse a empresa em sua postagem no blog

No final de fevereiro, o YouTube disse a Shannon Bond, da rádio pública norte-americana NPR, que impediria os canais de mídia do Estado russo de monetizar as visualizações de vídeos. Também afirmou que está bloqueando a visualização de vídeos postados pelos veículos RT e Sputnik na Ucrânia.

Estes anúncios do Google e da Meta vieram pouco antes de a União Europeia afirmar que também bloqueará as transmissões televisivas das duas estatais de mídia nos países membros.

DESINFORMAÇÃO EM REDES SOCIAIS

O confronto de informação tornou-se um elemento cada vez mais importante da guerra hoje, em parte devido ao vasto alcance e influência de redes sociais como Facebook, Twitter e YouTube. A opinião pública já enxerga de forma negativa essas plataformas e tem interesse em regulá-las. Logo, para elas, é natural que queiram se manter distantes de qualquer influência no conflito na Ucrânia.

A Meta garantiu que  já derrubou pelo menos uma célula de desinformação direcionada a usuários na Ucrânia. A empresa afirma que eliminou uma rede de pessoas na Rússia e na Ucrânia que administravam páginas que se passavam por entidades e veículos de notícias independentes. As mesmas pessoas também foram responsáveis pela criação de perfis falsos em outras plataformas, como o Twitter, YouTube, Telegram, Odnoklassniki e VK, aponta a empresa.


SOBRE O AUTOR

O redator sênior da Fast Company, Mark Sullivan, cobre tecnologia emergente, política, inteligência artificial, grandes empresas de te... saiba mais