POR GIULIA LUCHETTA

Vinhos, carnes, livros, artigos de papelaria, cafés, produtos de beleza e bem-estar. Para cada um desses itens, existe ao menos um clube de assinatura no mercado brasileiro. O modelo representa mais uma oportunidade de negócios para as empresas, enquanto para os consumidores, há um atrativo pelo aspecto da exclusividade. 

Um levantamento realizado pela empresa de tecnologia Betalabs, especializada na oferta de soluções para e-commerce, revela que o setor movimentou cerca de R$ 1 bilhão em 2020. De 2019 para o ano passado, o número de sites de clubes de assinatura aumentou de 800 para mais de 3 mil no Brasil, o que representa um crescimento de 60% no período. A média foi de 605 novos assinantes todos os dias. 

Um modelo que já vinha em ascensão foi ainda mais impulsionado pela quarentena. Por meio das assinaturas, as marcas vislumbraram mais uma maneira de melhorar a experiência e estabelecer uma conexão mais íntima com o público.  Além de eliminar intermediários, os empresários conseguem trabalhar com diversos fornecedores, contar com estoque reduzido (porque os pedidos são feitos conforme o número de assinantes) e obter faturamento regular.

coffee&joy (Crédito: Divulgação)

“A ideia dos clubes de assinatura é oferecer comodidade ao cliente”, diz Sérgio Miranda, co-founder do coffee&joy, um clube de assinatura para cafés selecionados. Ele acredita que os produtos físicos, de consumo recorrente no dia a dia, tendem a se encaixar melhor nesse modelo de negócio. “No geral, o consumidor aprendeu a comprar mais utilizando a internet durante a pandemia. Por isso, negócios que utilizam a rede mundial de computadores para entregar valor ao seu cliente estão surfando nessa onda de novos entrantes no mercado digital.” 

O cliente do coffe&joy tem a oportunidade de experimentar cafés produzidos por pequenos produtores em várias localidades nacionais, e escolher o produto em grãos ou moído. Anualmente, o clube oferece uma experiência imersiva para que o assinante conheça o processo de colheita do café até a etapa de torra do grão. O e-commerce, por sua vez, oferece outros produtos para acompanhar a bebida. 

A B4A (Beauty for All) é uma plataforma digital de beleza que propõe uma conexão entre consumidores, marcas e influenciadores. O site não só possui marcas próprias, com produtos para homens e mulheres, como também adquiriu os clubes de assinaturas Glambox e Clube da Men’s em 2017.  

Jan Riehle, CEO e fundador da B4A, enxerga nos clubes de assinatura um componente muito bem desenvolvido para engajar o consumidor. Para ele, o mercado de produtos de beleza e bem-estar futuramente será dominado por poucos varejistas multimarcas, especializados no segmento. 

Glambox (Crédito: Divulgação)

Riehle afirma que o objetivo principal dos clubes é  permitir que o consumidor se conecte e tenha acesso aos produtos e conteúdos que são personalizados para o perfil dele. “As marcas podem se beneficiar dessa interação; aprender sobre hábitos e preferências dos consumidores”, afirma. Para ele, o desafio é criar essa abordagem de multichannel, a assinatura é só mais um meio para atingir esse objetivo.

A Glambox, em conjunto com a Glamshop, formam o Universo Glam, e o Clube da Men’s conta com a loja Men’s Market. No ano passado, os clubes de assinatura cresceram 70% na B4A. Juntos, esses canais somam mais de 80 mil assinantes por todo o país e a estimativa é que esse número chegue a mais de 100 mil até o final de 2021. 

De acordo com uma pesquisa do  Ebit|Nielsen, 95% dos brasileiros afirmam que pretendem continuar comprando online após o fim da pandemia. Segundo a análise, a estimativa é que o e-commerce brasileiro cresça 26% em 2021.

O Panorama do Comércio Móvel no Brasil, realizado pelo Mobile Time e Opinion Box, sugere que entre as categorias que ganharão destaque estão: refeições (49%), roupas (43%), alimentos (42%), eletrônicos (33%) e remédios (30%). 

Com essa projeção em vista, o Grupo Mantiqueira lançou um clube de assinatura de ovos em 2018 e viu a demanda explodir em 2020. A empresa decidiu ampliar a presença para outros canais. Atualmente, também comercializa seus produtos no Magalu e tem parcerias com ChefsClube, SindRio e Greenpeople. Murilo Pinto, diretor comercial da companhia, conta que o Clube Mantiqueira nasceu para se aproximar do consumidor, mas sem grandes pretensões de retorno e volume. No último ano, entretanto, o clube passou a ser uma necessidade para as estratégias de negócio.

“Deixou de ser uma questão de aproximação para se tornar uma resposta às demandas”, diz ele. O clube oferece planos a partir de 30 ovos, com entregas semanais, quinzenais ou mensais. Os planos e entregas são escolhidos pelo assinante, que programa as recorrências. Para o executivo, a conveniência de se ter um alimento básico como o ovo de forma recorrente é um dos atrativos para o consumidor. “Nosso diferencial é entregar sempre ovos frescos. E para isso, complementamos a assinatura com conteúdo sobre a origem dos nossos produtos”, comenta. 

SOBRE A AUTORA

Giulia Luchetta é estagiária da Fast Company Brasil, sob supervisão de Isabela Lessa.