A vida acontecendo


Cristina Naumovs 2 minutos de leitura

Começo esta coluna com uma pergunta: qual a risca civilizatória que você fez no chão? Do que você não abre mão? No que você acredita de verdade? Que mundo você quer viver e produzir com o seu trabalho? Em quem você confia o suficiente pra apertar “confirma” quando aparecer a cara na urna?

2022 talvez seja o ano mais importante para quem acredita nessas pautas e causas civilizatórias. Então, ouvir o Mamilos Podcast abrindo com sua declaração pública de voto me fez pensar que isso tem tudo a ver com o que acredito também no mercado de trabalho.

Aliás, me corrijo: tem tudo a ver com a vida que eu quero levar, porque é uma só, quem eu sou e no que acredito 24 horas por dia. As minhas crenças inegociáveis estão comigo o tempo todo: um mundo mais justo, inclusivo, criativo, pulsante, para cada vez mais gente. Acredito nisso na mesa do bar e nas reuniões com CEOs, nas viagens por aí e no pagamento de boletos.

Eu amo votar desde sempre, tirei título de eleitora com 16 anos e um dia, na geração que nasceu sem saber o que era eleição direta, o que seriam presidentes eleitos democraticamente. Este ano faço 45 anos, voto desde 1994. Nem sempre meus candidatos ganharam, mas eu nunca faltei nas urnas.

A gente aprende em tantos cursos corporativos sobre empatia, talvez valha a pena tentar usar nesta eleição.

E por que isso? Porque acredito que a mudança só vai acontecer se a gente entender que política é todo dia, é comprar pão na padaria (ou não comprar por falta de grana ou porque o dono da padaria não acha que você “merece” frequentar o negócio dele). Existir é político. Aliás, respirar desde a pandemia de Covid-19 virou político. Mais de 600 mil pessoas não respiraram.

Dia 2 de outubro é dia de se entender com a democracia, direitos humanos, acesso à educação (afinal, quem manterá suas metas de D&I sem a política de cotas das universidades públicas? Você sabe que, em 2022, dos mais de 33 milhões de brasileiros que passam fome, 70% são negros?), saúde para todos (quem vai vacinar um país inteiro se não o SUS?).

Meu voto é pela democracia, pelo bom combate de ideias, por não ser o país que voltou para o mapa da fome. Você sabe o que é sentir fome? Não ter certeza se vai ter comida hoje? A gente aprende em tantos cursos corporativos sobre empatia, talvez valha a pena tentar usar nesta eleição. Ah, e o meu voto é no Lula.

P.S.: Escolhi o título da coluna inspirada pelo trabalho incrível do Wendy Andrade, fotógrafo e artista carioca, que usa a hashtag “A vida acontecendo” para mostrar as pessoas do Rio de Janeiro e do Brasil existindo, sonhando, sorrindo, vivendo. Recomendo muito que você conheça o trabalho dele, porque a gente merece beleza nessa vida que acontece o tempo todo.


SOBRE A AUTORA

Cristina Naumovs é consultora de criatividade e inovação para marcas como Ambev, Doritos e Havaianas, entre outras. Tem passagens pela... saiba mais