Fiz um post no Instagram, que dizia: 

Eu tava aqui muito resistente de fazer um post falando sobre 2021. falei muitas “não posso dizer isso em público, mas 2021 foi um ano foda pra mim”. Mas por que não posso falar disso em público?

Mudei de carreira aos 40 anos, há 4 anos eu tava toda cagada sem um puto no bolso, tomando golpe de bilionário que segue bilionário, sem ter ideia do que faria da minha vida profissional. Mas muita gente acreditou em mim nesse período. Patrícia todos os dias. 

Eu só queria que a gente experimentasse o desconforto da mudança e o prazer da realização.

Eu cada vez mais acredito em construir junto, em somar, em subir com muita gente. Aliás, meu exemplo sempre é: todo mundo deveria um dia ver o céu e as nuvens pela janela de um avião (comer, morar, estudar e saúde são direitos universais). Isso é um dos maiores prazeres que eu posso desejar pra alguém: ver o mundo do alto. O resto é obrigação da nossa geração resolver. Ou você tá confortável?


Meu mundo é hoje, eu tô feliz por ele, construí uma estrada cheia de pedra, mas cheia de gente foda. Minha frase pra patrícia sempre é “as pessoas são gentis demais comigo”. Eu experimento afeto de lugares muito inusitados.

Eu só queria que a gente experimentasse o desconforto da mudança e o prazer da realização. 

É como eu termino 2021: desconfortável e realizada.

Recebi muitas mensagens privadas de pessoas dizendo que estavam sentindo a mesma coisa, uma vontade de dizer que tinham tido um ano bom, mesmo em meio a uma pandemia e crise humanitária e política que estamos vivendo. 

E qual a nossa grande dificuldade de nos apossarmos das nossas vitórias? Por que é tão difícil dizer “tive um ano foda”? Tem a ver com empatia com as mais de 600 mil famílias que perderam entes queridos para a falta de vacina no país? Ou será que só temos problemas em sermos felizes com as nossas conquistas publicamente? 

Outro dia, a Daniela Cachich, hoje presidente de uma das divisões da Ambev e colunista aqui da Fast Company Brasil, me mostrou um video do Jack Welch, ex-ceo da General Electric nos Estados Unidos, e uma das coisas que ele disse que mais me marcou foi: comemore dar aumentos, comemore o sucesso dos outros. 

Então, essa última coluna do ano é pra comemorar você, que sobreviveu, que viveu, que respirou, que colocou coisas legais na rua, que criou, que deixou uma marca em 2021. Que 2022 seja mais gentil com você e que sigamos desconfortáveis e realizados. 

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE A AUTORA

Cristina Naumovs é fundadora da Apego.Inc e integra o Conselho Editorial da Fast Company Brasil.