Design fora da caixa


Cris Grether 2 minutos de leitura

Eu achava que designer criava logomarcas, cartões de visita e cartazes.

Babava com os títulos do Herb Lubalin, nos quais ele “deixava a tipografia falar”

…e com os símbolos do Aloísio Magalhães, que sintetizavam nomes e ideias de empresas em formas simples, legíveis e originais.

Na faculdade, descobri que designer podia criar muito mais. Paletas de cores, desenhar alfabetos inteirinhos, pensar formas, texturas e matérias para objetos, depois juntar todos esses elementos em uma biblioteca chamada Identidade Visual. Para marcas, produtos, serviços e até pessoas.

Formada, descobri que dava para fazer isso também fora do Brasil. Muito aprendizado, vindo de um país continental, sobre nuances de outras culturas e do jeito de trabalhar. No Rio, a mágica acontecia nas madrugadas; em Nova York dava para fazer de tudo com alta tecnologia; e, em Londres, a gente tinha tempo de qualidade – mas ai de mim se passasse algum ‘typo’ no guideline…

Mas a descoberta mais fora da caixinha foi a de que há vida para designer dentro das empresas.

“Você vai deixar de criar e virar gerente”; “dou um ano pra ‘empudinhar’* e usar terninho”…

Tudo isso pode acontecer, sim. E não creio que a escolha de pular o muro seja para todo designer.

Mas descobri que pode ser mágico também. Por que as empresas precisam MUITO de designers.

A descoberta mais fora da caixinha foi a de que há vida para designer dentro das empresas.

Designer de formação. Que alinha texto no Power Point.

Designer que adora encarar desafios cabeludos.

Designer que desconfia do briefing e vai até onde o problema está.

Designer viciado em fazer. Que no meio de discussões intermináveis, começa a rabiscar possibilidades. 

Designer que, quando escuta algo minimamente interessante, vai logo testar.

Descobri que um designer, no meio de 50 marketeiros, já faz uma diferença.

Descobri que a disciplina do Design é contagiante. Se há uma dificuldade para o designer dentro das empresas, é priorizar que time ele vai ajudar primeiro, que projeto é mais estratégico – por que desde o CEO até o assistente júnior, todos vão precisar da sua ajuda.

E lá se vão 11 anos e pouco, e ainda descobrindo coisas novas sobre design. 

Sendo mulher, brasileira, mãe, e usando Melissa para reunião importante.

* Empudinhar: expressão inventada (e usada dentro das empresas em que trabalhei) que equivale a perder a autenticidade e se moldar, como um pudim se molda à sua forma. 


SOBRE A AUTORA

Capricorniana carioca, mãe da Marina, e Head Global de Design da Danone. Adora colecionar objetos, dançar hip hop e ensinar Design p... saiba mais