Não é novidade para ninguém que estamos continuamente transformando nossas vidas em dados: fotografias, notas, mensagens de texto, listas e tantas outras informações pessoais e profissionais existem cada vez menos em formato analógico. Em meio a esse contexto, surge uma nova categoria de aplicativo, que promete reunir todo o material digital que geramos em uma única interface. Geralmente são chamados de “sistemas de gerenciamento de conhecimento”, embora cada vez mais usuários se refiram a eles simplesmente como “segundo cérebro”. 

Na prática, são aplicativos que tentam emular o cérebro humano na forma como relacionam informações em forma de rede.

“Afinal, qual é o limite para um ‘segundo cérebro’?”

A ideia surgiu a partir do reconhecimento de que nossos cérebros simplesmente não foram projetados para armazenar a quantidade excessiva de informações às quais somos expostos todos os dias. Um “segundo cérebro”, portanto, é um sistema que nos oferece uma ajuda extra para organizarmos nosso mundo digital e expandirmos nossa produtividade.

O mais conhecido é o Notion, lançado em 2016 e que já conta com 20 milhões de usuários. Outros exemplos incluem os americanos Roam e Obsidian, fundados em 2017 e 2020 respectivamente, além do Mem, que já disponibilizou sua versão beta para o público.

Essas plataformas cultivam um universo próprio e crescente de fãs. Os usuários do Roam se autodenominam Roamcult, enquanto o servidor Obsidian Discord já tem quase 50 mil membros. Existem consultores certificados da Notion que trabalham para ajudar empresas e pessoas a organizarem suas vidas usando o aplicativo, e ainda influenciadores que fazem vídeos instrutivos sobre como melhor usar o app. Alguns desses aplicativos de segundo cérebro se autodenominam empresas de busca especial, empregando inteligência artificial para que possamos buscar dados no nosso próprio cérebro.

Para mim, o surgimento deste tipo de aplicativo era uma questão de tempo. Assim como o Google surgiu para organizar e nos guiar na imensidão de informações da internet, era de se imaginar que o mesmo aconteceria com nosso próprio universo de dados.

Estamos diante de uma boa discussão sobre a evolução humana. Sem dúvida alguma, esses aplicativos têm a capacidade de nos tornar mais produtivos e funcionam praticamente como uma memória alternativa. Mas acredito que há motivos que justificam o modelo de armazenamento dos nossos cérebros e motivos pelos quais gravamos somente informações e fatos mais relevantes. Afinal, qual é o limite para um “segundo cérebro”?

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE A AUTORA

Adriana Knackfuss é head de Integrated Marketing Experiences (IMX) da Coca-Cola para a América Latina. Designer de formação, ingressou na The Coca-Cola Company em 2007. Foi líder de comunicação e marketing no Brasil, VP de transformação digital no Brasil e na América Latina e líder global do portfólio de marcas de sabores na matriz da empresa, em Atlanta (EUA).