Apenas 21% dos funcionários se sentem engajados no trabalho, segundo estudo Gallup

Levantamento inédito mostra a realidade do local de trabalho depois do difícil ano de 2021

Crédito: Aerials/ Envato Elements

Redação Fast Company Brasil 3 minutos de leitura

O ano de 2021 cobrou muito dos trabalhadores ao redor do mundo. Mesmo com sinais de esperança com as diferentes vacinas, a pandemia da Covid-19 ainda cobrava preços altos. A relação dos profissionais com as empresas no pós-pandemia é um tema que levanta — e provavelmente levantará — muitas reflexões para estudo, seja sobre novos modelos de trabalho a novas motivações e comportamentos.

Recentemente a Gallup, empresa de análise de dados e consultoria, lançou um levantamento intitulado  “Estado do local de trabalho global: Relatório de 2022”, representando a percepção de colaboradores do mundo inteiro e entendendo como a pandemia e o medo dela continuaram a atrapalhar o local de trabalho. 

“O MUNDO ESTÁ MAIS PERTO DE COLONIZAR MARTE DO QUE DE CONSERTAR OS LOCAIS DE TRABALHO QUEBRADOS NO MUNDO”

“Melhorar a vida no trabalho não é como ciência espacial, mas o mundo está mais perto de colonizar marte do que de consertar os locais de trabalho quebrados do mundo”, afirma Jon Clifton, CEO da Gallup. “A solução real é simples assim: melhores líderes no local de trabalho. Os gerentes precisam ser melhores ouvintes, mentores e colaboradores.”

Os dados primários do relatório são provenientes da Gallup World Poll, por meio da qual a empresa realiza pesquisas da população adulta mundial, usando amostras selecionadas aleatoriamente, desde 2005, abrangendo mais de 160 países. Este relatório reflete as respostas de adultos, com idade igual ou superior a 15 anos, que foram empregados por qualquer número de horas.

O estudo chegou aos seguintes insights:

– Antes da pandemia, o engajamento e o bem-estar dos funcionários estavam aumentando globalmente por quase uma década, mas agora estão estagnados. Com apenas 21% dos deles engajados no trabalho e 33% prosperando em seu bem-estar geral.

– O estresse chegou a um recorde histórico, com 44% dos funcionários experimentando muito estresse diário no dia anterior à entrevista. Enquanto quase metade dos trabalhadores do mundo sentiram o peso do estresse.

– Os funcionários ainda se sentem inseguros sobre possíveis oportunidades de trabalho. Apenas 45% disseram que agora é um bom momento para encontrar um emprego em seu país. Os EUA e o Canadá foram os discrepantes regionais, liderando com 71%.

– Os trabalhadores na Europa e no sul da Ásia (incluindo a Índia) não apenas sentiram que sua vida atual é pior do que antes, como também sua esperança no futuro também caiu.

– Embora os funcionários da região dos EUA e do Canadá sejam alguns dos mais preocupados e estressados do mundo, eles também são os mais engajados.

– O bem-estar e o engajamento são imperativos para um bom relacionamento com o local de trabalho. Quando os funcionários estão engajados e prosperando, eles experimentam significativamente menos estresse, raiva e problemas de saúde. O baixo engajamento custa à economia global cerca de US$ 7,8 trilhões.

Para o estudo, as organizações precisam pensar na pessoa como um todo, não apenas no trabalhador e para isso devem adicionar indicadores para medir o bem-estar e engajamento em suas análises, assim como priorizar esses dois elementos como parte da marca.

AMÉRICA LATINA E O LOCAL DE TRABALHO

Os dados da América Latina, que inclui o Brasil na pesquisa, seguem a tendência global, com algumas constatações específicas:

– Tem o percentual regional mais alto de preocupação diária, com 53%;

– Tem o menor percentual regional de funcionários estão satisfeitos com os esforços do seu país para preservar o meio ambiente, com 30%;

– Tem o segundo menor percentual regional de funcionários que dizem que não foram tratados com respeito o dia todo, com apenas 7%.

Nos dois pontos importantes levantados pela pesquisa, 23% dos funcionários latino-americanos se sentem engajados e 43% acreditam que estão prosperando em seu bem-estar geral.

“Unidades de negócios com trabalhadores engajados têm 23% mais lucro em comparação àquelas com trabalhadores miseráveis. Além disso, equipes com trabalhadores prósperos têm absenteísmo, turnover e acidentes significativamente menores; eles também veem maior fidelidade do cliente”, afirma Clifton. “O ponto é: o bem-estar no trabalho não é algo contrário à agenda de ninguém. Executivos em todos os lugares devem querer que os trabalhadores do mundo prosperem. E ajudá-los começa com ouvi-los.”


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