POR ERIC MOSLEY

Ultimamente temos visto muitos obituários de escritórios. A pandemia fez com que muitos trabalhadores passassem a trabalhar de casa. Equipes inteiras estão há pelo menos um ano usando apps como Zoom, Slack e Microsoft Teams para se manterem produtivas. E apesar de os funcionários estarem trabalhando mais horas, as pessoas gostam de ter mais controle sobre seus horários de trabalho. Não ter que ir até o escritório é uma vantagem, mesmo que as barreiras entre trabalho e casa tenham ficado mais difusas.

Acredito que relatórios sobre a debandada dos espaços físicos de trabalho sejam prematuros por várias razões, mas todos refletem a profunda necessidade humana por conexão. No ano passado, diversos executivos do Vale do Silício fizeram declarações sobre terem mudado de ideia quanto a necessidade de escritórios. “Estamos trabalhando tão bem de casa que talvez nunca mais voltemos para o escritório”.

Eles não perceberam que só puderam transferir 100% dos times para o virtual porque passaram anos construindo essa experiência entre os colaboradores? Foi o poder da proximidade que tornou possível essa transição. Essas empresas investiram em cultura, o que as encaminhou para a atual dinâmica.

Após quase um ano de trabalho remoto, estamos vendo um declínio lento da conexão. De acordo com a Gallup, funcionários ficam 7% menos propensos a visualizarem suas conexões com a missão da companhia. Olhar para um notebook com outros seis rostos é algo inerentemente transacional, menos espontâneo, menos humano do que trabalhar em uma sala com pessoas.

Como resposta, os líderes estão fortalecendo seus esforços para celebrar a humanidade no ambiente de trabalho, jogando luz para os momentos nos quais funcionários vão além de seus job descriptions para ajudar consumidores, melhorar produtos e compartilhar novas ideias. Estão lembrando as equipes de que estamos em um momento estressante e que tudo bem cuidarem de si mesmas e dos outros. Estão usando reuniões virtuais e plataformas de reconhecimento para compartilhar um pouco de suas próprias vulnerabilidades e gratidão pelos sacrifícios e resiliência dos funcionários.

Em um evento virtual recente realizado pelo Washington Post, o professor da Wharton School, Adam Grant, observou que o trabalho online traz “benefícios para a produtividade… (mas) a colaboração e a cultura são colocadas sob grande risco.” Nessa nova configuração de escritório, como podemos maximizar os benefícios e reduzir os riscos?

O NOVO AMBIENTE DE TRABALHO SERÁ DEDICADO À INTERAÇÃO

Palestrante do mesmo evento, Susan Lund, PhD e líder do McKinsey Global Institute, acredita que o retorno aos escritórios será sobre interação. Ela disse que “você irá (ao escritório) para encontrar outras pessoas fazendo brainstorming e inovação, com mais espaços colaborativos, salas coletivas e cabines individuais para conversas particulares.”

Arquitetos, designers, especialistas em tecnologia e líderes de negócio estão implementando uma variedade de novos arranjos, combinando o melhor do trabalho remoto e da colaboração cara a cara. Não faltarão opções. A pergunta é: como podemos extrair o máximo dessa disrupção única?

TRANSIÇÃO PARA O AMBIENTE DE TRABALHO HUMANO

Um estudo recente da BCG sobre trabalho remoto afirma que “funcionários satisfeitos com a conectividade social são mais propensos a manter ou melhorar a produtividade em tarefas colaborativas.” Em resumo, colaborações fortes exigem conexões humanas fortes. E esse é o ponto crucial para repensar o escritório da sua empresa. Como mudança de processo de gerenciamento, a transição de 2021 para o “próximo normal’ é uma oportunidade incrível para reafirmar seu compromisso com mais do que a segurança física dos funcionários.

O RETORNO AO ESCRITÓRIO PODE REVIGORAR A CULTURA

Cada aspecto do escritório híbrido pode contribuir com uma conexão humana maior entre as pessoas – uma combinação de presença física, remota, integral, contratual e freelancer. Como começo, considere como cada um desses fatores pode fortalecer os laços entre os colaboradores.

Espaço físico: Você redesenhará mesas, espaços de colaboração, salas de conferência seguras e amenidades (as pessoas utilizarão o espaço do café e a academia de outro jeito). Inclua os funcionários no processo de redesign porque eles foram graduados em curso de colaboração no ano passado.

Tecnologia: Estabeleça um novo tipo de parceria entre funções de negócio, RH e equipes de tecnologia para que tecnologia pessoal e colaborativa trabalhem a favor das pessoas tanto quanto a produtividade.

Cultura: Celebre as qualidades humanas que te ajudaram durante a pandemia. É ótimo celebrar o desempenho, mas precisamos celebrar o que nos conecta – gentileza, dedicação, integridade, resiliência, colaboração, coragem e até amor. Faça uma pausa para apreciar o outro, demonstrar gratidão, reconhecer momentos em que as pessoas foram criativas, adaptáveis, resilientes e generosas. Ofereça a cada um ferramentas necessárias para mostrarem gratidão uns aos outros e vivenciarem os valores culturais da companhia.

Dados: Inclua dados que meçam como as pessoas se sentem e o que estão fazendo. Na Workhuman, a linguagem dos nossos dados de reconhecimento – gerados a partir de mais de 50 milhões de momentos de reconhecimento e agradecimento de 5 milhões de colaboradores – podem revelar vieses inconscientes que alertam líderes sobre possíveis desigualdades que agora podem ser endereçadas. Inteligência Artificial e analytics avançados são capazes de descobrir muita coisa. Continue experimentando e mensurando os resultados em termos de negócio e em termos humanos, porque hoje são inseparáveis.

Há muitas incertezas neste momento (saúde pública, economia) para que seja possível determinar exatamente quando retornaremos para ambientes de trabalho compartilhados, mas as vantagens da conexão humana no trabalho são tão profundas que uma volta ao escritório de uma forma nova e criativa é inevitável. De acordo com Grant, “2020 foi o ano em que fomos forçados a repensar… minha aspiração para 2021 é que seja um ano de pensamento proativo sobre onde trabalhamos e como trabalhamos.”

Obituários sobre o escritório são prematuros. Vamos usar o que aprendemos em 2020 para reinventar os ambientes de trabalho e a cultura corporativa em 2021.

SOBRE O AUTOR

Eric Mosley é CEO e cofundador do que começou como Globoforce e agora é Workhuman.