A pandemia provocou alterações não apenas na jornada de trabalho, mas também no processo de busca por vagas de emprego

Esteja você desempregado procurando por uma vaga ou planejando deixar seu atual emprego neste início de 2021, não é segredo que o recrutamento mudou em muitos sentidos. Do networking ao trabalho remoto, houve transformações profundas na maneira de conseguir jobs. E mesmo com a promessa das vacinas oferecendo um vislumbre de retorno aos escritórios em um futuro não tão distante, algumas coisas vieram para ficar.

“Durante os oito meses de pandemia, basicamente vimos muitas regras sobre como executar tarefas sendo quebradas. As pessoas trabalhavam de formas radicalmente diferentes, com silos funcionais, com equipes, trabalhando em diferentes indústrias em setores diversos. Muitas delas assumiram novos papeis muito rapidamente”, afirma Erica Volini, líder global de human capital da Deloitte. E, uma vez que a pessoa muda o modo como trabalha, pode ser difícil voltar à velha maneira de fazer as coisas, ainda mais se o novo jeito funciona.

Se a pandemia abriu caminhos para uma abordagem híbrida do trabalho, a procura por vagas também permanecerá alterada. Veja o “próximo normal” na busca por empregos em 2021:

Marketplaces de talentos internos ganha importância
“Uma das maiores tendências que veremos em um mundo pós-pandemia é um grande foco em pessoas à procura de novos desafios dentro da própria empresa”, diz Volini. Organizações farão primeiro uma busca interna, às vezes com a ajuda de plataformas de tecnologia, para encontrar a dose certa de skills e capabilities. E esses marketplaces também monitorarão o desenvolvimento do funcionário.

De acordo com relatório da Deloitte, essa abordagem ajuda as empresas a aplicar o talento que já têm de forma mais eficiente. É esperado que esses marketplaces se tornem ambientes nos quais os funcionários podem encontrar funções flexíveis, projetos pontuais, mentores e outras oportunidades para desenvolverem suas habilidades. Esse foco interno significa que funcionários precisarão ser mais adeptos à navegação nesses sistemas, além de garantir que suas habilidades e objetivos estejam atualizados para encontrar seus próximos cargos.

A presença digital será ainda mais importante

Com as conexões remotas sendo o meio primário de conexão do candidato com seu recrutador, ele terá de ser diligente em relação a sua presença digital. Cada vez mais as empresas encontrarão pessoas por meio do conteúdo que desenvolvem online, explica Abakar Saidov, CEO e cofundador da Beamery, empresa de tecnologia de RH.

Hari Kolam, CEO da Findem, plataforma de RH que ajuda companhias a encontrar candidatos e gerenciar equipes, concorda. Segundo ele, os candidatos devem tirar o foco dos currículos e se dedicarem mais em desenvolver seus footprints digitais para serem notados.
Limpe suas contas sociais, faça a curadoria ou crie conteúdo relevante – como blogs, posts, contribuições em artigos e vídeos de apresentação – que demonstrem sua liderança e te deem valor, detalha ele. “Claro, é legal e necessário ter um currículo para algumas vagas, mas isso não será suficiente para driblar um concorrente no mercado de trabalho de 2021”.

Empregadores buscarão capabilities
A Gartner mapeou que um terço das skills listadas em uma vaga de trabalho em 2017 deixariam de ser relevantes em 2021. Papeis estão sendo reimaginados e companhias precisam de funcionários com skills como adaptabilidade e resolução de problemas, ou seja, essas características devem ser evidenciadas no currículo e no conteúdo criado, ressalta Volini.

“Estamos começando a ver tecnologias capazes de dizer, com base nas suas capabilities, quais trabalhos são os mais adequados para você dentro da empresa. Aqui estão os múltiplos caminhos de carreira que você pode escolher. E isso começa a abrir um diálogo totalmente novo”, afirma ela.

Com o crescente reconhecimento da importância da mobilidade interna pelas empresas, ela prevê que haverá uma mudança cultural: gestores terão a responsabilidade de desenvolver funcionários talentosos em vez de somente contar com eles em suas equipes. Isso ajudará os funcionários a ter conversas mais francas com seus gestores sobre objetivos e desenvolvimento.

Opções geográficas aumentam
Diante do surgimento de tantas oportunidades remotas, a geografia está se tornando um fator menos importante na busca por emprego, observa Amelia Ransom, diretora sênior de diversidade e engajamento da Avalara, uma empresa de software para compliance de impostos.
Portanto, mesmo que você não tenha considerado uma empresa de outro estado ou país porque seria necessário mudar de casa, o trabalho remoto está tão prevalente que é possível expandir parâmetros geográficos. “Candidatos buscarão companhias que sejam mais flexíveis em acomodar horários de trabalho diversos, fuso-horários e exigências presenciais”, diz ela.

Vale investir em um mini-centro de produção
Com a videoconferência se tornando parte importante do trabalho para muitos, as expectativas em torno da qualidade de produção estão mudando. “Quando você tem luz e som de alta qualidade, assim como um headset mais do que decente para bloquear distrações, está preparado para entrevistas e interações bem-sucedidas com os empregadores”, ressalta Kolam. Criar um mini-centro de produção para garantir que vídeo e áudio te diferenciem é uma boa aposta.

Também ajuda que os candidatos tenham um sistema de rastreamento e um CRM pessoal, “como um Excel ou um Airtable que os ajude a organizar a busca por empregos e a acompanhar aberturas de vagas, descrições de emprego e de empresas”.

O networking online continuará a crescer
Kolam acredita que grupos online de profissionais e de busca por empregos nos quais as pessoas pedem conselhos e oferecem oportunidades continuarão populares. A facilidade de conexão via redes sociais ou chats de vídeo no lugar dos cafés presenciais serão uma ferramenta recorrente para pessoas que querem otimizar o tempo, manter contatos e formar comunidades.

É possível encontrar vários grupos em sites como Eventbrite e Meetup. Confira o LinkedIn e o Facebook para encontrar grupos de networking por indústria, região e interesses específicos.

Pode ser mais difícil encontrar o fit ideal
Um ponto que será mais difícil para quem está procurando emprego é determinar se a cultura da empresa é boa para você, afirma o psicólogo Matt Kerzner, diretor do Center for Individual and Organizational Performance e conselheiro da EisnerAmper. Em outras palavras, você consegue sentir o clima do lugar andando pelo ambiente, vendo as pessoas e, no momento, isso não é possível de ser feito.

As pessoas podem vir a perceber que cometeram um grande erro quando conhecerem a cultura da companhia. Então quem está buscando um emprego terá de utilizar as redes sociais, se valer de networking e das perguntas certas para ter uma boa noção da cultura da empresa.

Para muitas companhias, a migração para o trabalho remoto e novas demandas mudaram o que era negligenciado na busca por emprego. Como tantas outras áreas do trabalho, a adaptação às novas regras e estar aberto a novas formas de trabalhar serão assets valiosos para obter sucesso.

SOBRE A AUTORA

Gwen Moran é autora, editora e criadora do Bloom Anywhere, site para pessoas que querem seguir ascendendo ou seguir adiante. Ela escreve sobre negócios, lideranças, dinheiro e outros temas para diversos sites e publicações. Saiba mais.