POR JOEL SCHWARTZBERG

Em uma palestra na Escola de Direito da Universidade de Nova York, a juíza da Suprema Corte norte-americana Sonia Sotomayor contou à sua plateia que havia mudado a sua forma de argumentar oralmente depois que estudos revelaram um histórico de juízas sendo interrompidas por juízes e advogados homens. Esses casos fazem parte de uma tendência geral: mulheres são frequentemente interrompidas em seus ambientes de trabalho. Um estudo da George Washington University descobriu que os homens interrompiam colegas com 33% mais frequência quando estavam falando com mulheres do que quando falavam com outros homens.

Em minhas oficinas de oratória, ouço muito essa reclamação. E a pergunta mais comum é: o que eu faço quando for interrompida?

Abaixo estão quatro estratégias que eu recomendo às mulheres – ou a qualquer pessoa injustamente interrompida – para garantir que todos os seus argumentos sejam ouvidos e que suas vozes sejam respeitadas.

FINALIZE O SEU ARGUMENTO

No caso de ser interrompida para ser confrontada ou apoiada, você tem o direito de terminar o seu argumento (nem mais nem menos direito do que qualquer um de seus colegas presentes na sala ou na reunião do Zoom). Portanto, após a interrupção, use o mais rápido possível uma frase como as seguintes, para retomar a transmissão do seu ponto de vista:

“Eu só gostaria de terminar o que estava dizendo para ter certeza de que fui clara…”

“Obrigada, Fred. Mas para completar meu argumento, eu gostaria de acrescentar que…”

“Eu preciso ter certeza de que vocês compreenderam um detalhe …”

MANTENHA O TOM PROFISSIONAL

Em sua mente, seja clara: sua intenção não é envergonhar o colega que o interrompeu ou revidar com rancor, mas simplesmente deixar seu ponto de vista completo e claro. Isso requer foco em responder, em vez de reagir. A reação é instantânea, como quando nos sentimos insultados e ficamos na defensiva. Já uma resposta envolve paciência e consideração, levando mais rapidamente a que seu interlocutor se corrija.

Para manter o foco no seu raciocínio, e não no insulto, evite dizer coisas como “Antes de ter sido interrompida …” (acredite, seu interruptor entenderá a indireta).

Também não recomendo que você tente falar em cima do seu interruptor (ou falar mais alto do que ele), como se estivesse em uma batalha para ver quem recua primeiro. Essa tática cria um clima de conflito e de competição, incompatível com diálogos eficazes. Deixe o interruptor terminar de falar ou espere ele fazer uma pausa – porque é assim que você demonstra respeito pelos colegas – e, então, aproveite para completar seu raciocínio.

COMPLETAR AS FRASES DOS OUTROS TAMBÉM É INTERROMPER

Por anos, fui um típico finalizador de frases alheias. Na época, eu achava que estava ajudando meus colegas a apresentarem seus pontos de vista e que estava sinalizando minha firme compreensão e concordância, mas na verdade eu estava me apropriando de seus momentos e tornando-os meus. Eu não estava apoiando ninguém, eu estava atrapalhando. Esteja ciente da tendência de seus colegas – e da sua própria – de terminar as frases de outras pessoas, e do impacto desse comportamento.

ELEVAR E ENDEREÇAR MICROAGRESSÕES

Às vezes, interrupções constantes são microagressões que refletem preconceitos conscientes ou inconscientes do seu interlocutor.  Se você perceber algum padrão inadequado de dominação, levante essa questão da maneira que lhe for mais confortável – com o seu gerente ou diretamente com a pessoa.

Lembre-se de que seu trabalho é tanto se expressar quanto se defender. Todos em uma reunião são qualificados para falar e têm o direito de contribuir e de concluir um argumento relevante, mesmo que ocasionalmente precisem lutar para reafirmar esse direito.

SOBRE O AUTOR

Joel Schwartzberg é executivo de comunicações, instrutor de oratória e autor de Get to the Point!Sharpen Your Message and Make Your Words Matter e The Language of Leadership: How to Engage and Inspire Your Team.