Meu ano vai chegando ao fim numa aceleração inesperada. O copo que ergo hoje está cheiíssimo e, para não correr o risco de deixá-lo transbordar, farei um brinde breve. Breve e especial. Vamos, peguem seus copos, hoje saudamos meu tipo favorito de pessoas, aquelas que dizem: esse problema é meu, todo meu. 

Acho importante dizer que isso não tem a ver com dizer que o problema é só seu – eu diria, inclusive, que é o contrário: gente que assume a responsabilidade sobre um problema sabe que precisa de outras pessoas para resolvê-lo. Vou contar uma história, que ilustra bem o que quero dizer. Mês passado, durante um trabalho em que buscávamos uma solução para reduzir o número de mortes por doenças cardíacas nos Estados Unidos, vivi uma encruzilhada. Tínhamos que desatar um nó dificílimo e, num determinado momento, quase todo mundo no time começou a elencar os motivos que tornavam impossível uma solução. Eu ali, comprometida com a solução, me dei conta de que era hora de dissolver o grupo (muitas vezes, a conversa entre muitos humanos – esses seres críticos por natureza, capazes de debater qualquer assunto por, literalmente 10 anos – te afasta da solução) e pedi uma rodada de trabalho em duplas. Eu sentia que a pessoa melhor preparada para me ajudar naquele momento era um médico, o brasileiro José Osório, que vive nos Estados Unidos desde 2002 e hoje – além de diretor de um hospital no Alabama e um dos mais reconhecidos nomes no país para uma cirurgia cardíaca pouco invasiva e altamente tecnológica – é também um empreendedor focado em melhorar a qualidade dos serviços médicos envolvendo cardiologia. “Preciso de você aqui comigo. Precisamos encontrar uma solução”, eu disse a ele. Nos primeiros 20 minutos, Osório seguiu listando preocupações e obstáculos, todos muito relevantes. E eu segui dizendo: entendo, mas qual a solução? Até que Osório mudou de postura e começou a desenhar uma resposta possível. No fim do trabalho, quando entregamos algo que parecia impossível 3 dias antes, ele me agradeceu porque “eu não o havia deixado escapar”. 

Num mundo em que tanta gente prefere o conforto de apontar problemas nos outros, encontrar alguém disposto a dizer: “este problema é meu” tem sido das minhas maiores alegrias.

Muitas vezes nos vemos pressionados, quase paralisados, diante de um problema que, aparentemente, não tem saída. Nosso cérebro nos engana, dizendo que em algum lugar existe uma solução perfeita e ideal e que o passo que podemos dar, com a experiência e os recursos que já temos, não é suficiente. Por causa disso, sucumbimos quase diariamente ao confortável “não há solução”. Escapamos da responsabilidade de resolver o que está diante de nós. Isso só muda quando (ao menos) uma pessoa muda de postura e diz: esse problema é meu.

Sim, é simples assim, na minha visão. Basta uma pessoa comprometida dizendo “este problema é meu e eu farei o que estiver ao meu alcance para resolvê-lo” para que a gente seja capaz de dar um passo adiante. Num mundo em que tanta gente prefere o conforto de apontar problemas nos outros, encontrar alguém disposto a dizer: “este problema é meu” tem sido das minhas maiores alegrias. A vocês, um obrigada. E a certeza de que podem contar comigo, nos momentos de copo cheio, vazio ou transbordante.

SOBRE A AUTORA

Bárbara Soalheiro é fundadora de Mesa Company, uma empresa global, fundada no Brasil, que trabalha hoje com os tomadores de decisão nas matrizes de clientes como Google, Bayer e Nestlé, ajudando-os a resolver seus problemas mais complexos. Neste mês, ela estreia a coluna Brindes para Lideranças.