POR ANA BEATRIZ CAMARGO

Em julho deste ano, a Globo anunciava a criação da startup Player1 Gaming Group* para unificar todas as atividades do grupo relacionadas ao universo dos games. O anúncio deu conta, por meio das palavras do CEO da startup, Leandro Valentim*, de que o grupo havia percebido que game não é mais nicho, mas sim mainstream. Assim, faria todo sentido unificar esforços para dar escalabilidade à atuação da Globo na área. 

A Player1 Gaming Group, com sede em São Paulo*, entra para uma lista de empresas que recebem aportes da Globo Venture — braço de investimento da Globo — como Rappi, Órama, Enjoei e Stone. Segundo a própria startup, serão desenvolvidos produtos e serviços para a comunidade gamer, como também soluções personalizadas para as marcas — mas o grande foco de atuação será no desenvolvimento de negócios D2C (direct to consumer). 

Nos últimos anos, o grupo vem acenando com conteúdo e eventos voltados para o mundo dos games. Na TV aberta, uma das iniciativas foi o extinto Zero1, programa apresentado por Tiago Leifert, nas madrugadas de domingo. O programa, que contou com quatro temporadas exibidas entre 2016 e 2019, era totalmente voltado para o universo geek e gamer. Leifert, que é um jogador assumido, conversava com pro-players, youtubers e compartilhava suas próprias experiências com consoles, desktops e placas de vídeo.

Tiago Leifert no estúdio de Zero1 (Crédito: Artur Meninea/Gshow)

No quesito eventos, o grupo criou, em 2017, o “Prêmio eSports Brasil” — premiação com 22 categorias para engajar e reconhecer pro-players, melhor streamer, “craque da galera” e melhor jogo do ano. A transmissão do evento acontece tanto on-line quanto na TV fechada, ficando a cargo do tradicional canal de esportes do grupo, SporTV. A empresa também participa da organização de outro evento tradicional, o Game XP, que ganhou até espaço no horário nobre da TV aberta com uma reportagem no Jornal Nacional

Não só com programas e eventos que a Globo tem tentado surfar na onda dessa indústria de bilhões. Tanto o canal de TV fechada SporTV quanto o portal de notícias esportivas GE* têm dedicado editorias específicas à cobertura dos eSports. Ou seja, é toda a engrenagem global a favor de prender a atenção e conquistar a audiência do gamer brasileiro. 

 

Portal G3 com editoria dedicada a cobertura de games (Crédito: reprodução)

Essa estratégia de negócios não é exclusiva da Globo.  Antes dela, a ESPN já havia iniciado um movimento de levar para espaços, até então dedicados aos esportes tradicionais, a cobertura dos eSports. O primeiro programa com conteúdo exclusivo sobre essa temática estreou em 2015 no site da emissora. Dois anos depois, o canal anunciou três novos programas dedicados à cobertura gamer, desta vez na plataforma de streaming ESPN+. Hoje, após alguns processos de reestruturação da ESPN no Brasil, a cobertura dos eventos e dos bastidores do mundo gamer acontece em uma editoria dentro do site do canal e em um podcast

Alan Carvalho, coordenador da graduação em Jogos Digitais da Faculdade Impacta, analisa a situação, fazendo um paralelo com as emissoras de rádio que passaram a utilizar o Youtube para transmitir a imagem dos seus locutores. “No caso das emissoras de TV, a audiência tem caído no público jovem. Os canais começaram a perder espaço, e os empresários perceberam que existe uma audiência em potencial, uma demanda e uma necessidade de diversificar para não perder a audiência“, destaca Alan.

(* – Esta matéria foi modificada em 19/10 para corrigir alguns dados que estavam incorretos)

SOBRE A AUTORA

Ana Beatriz Camargo é jornalista, heavy user de redes sociais e escreve sobre o mundo dos games.