POR ANA BEATRIZ CAMARGO

Se antes uma ideia na cabeça e uma câmera na mão eram sinônimo de sucesso, hoje uma ideia na cabeça e dinheiro em caixa não são mais garantia de que uma boa ideia se tornará uma inovação consistente. Conectar audiências de forma eficiente, hoje, requer muito mais do que criar algo genial – é preciso trilhar o caminho das pedras, evitando que recursos preciosos sejam despendidos pelo caminho.

É neste contexto que podemos destacar a atuação de Eduardo Paraske, que tem no currículo um forte background em marketing com passagens por Google, Waze, Samsung, Unilever, Roche Pharmaceuticals e Outback Steakhouse. Após uma passagem pelo Waze, em 2019, onde foi Head de Marketing B2B para América Latina, Eduardo decidiu fundar sua própria consultoria para ajudar pessoas e negócios a introduzirem inovação em seus produtos e serviços.

Eduardo e seu sócio, o publicitário Léo Brazão, perceberam que grande parte dos clientes que procuram a consultoria para implementar métodos de inovação – como design thinking, UX, Método Ágil – em busca de se conectar melhor e de forma mais eficiente com as suas audiências ou para prototipar novos produtos ou serviços, ainda não despertou para as possibilidades que o universo gamer oferece.

Para sanar esta dor – e orientar marcas dispostas a mergulhar em estratégia e criatividade para se beneficiar de um segmento em ascensão – a dupla firmou uma parceria com a agência Druid, focada em Business to Gamer (B2G), e criou um programa de imersão nas possibilidades que o universo gamer oferecem para as marcas. Em um Jogo de Perguntas com Fast Company Games, Eduardo compartilhou um pouco dos seus pensamentos sobre como games e inovação podem andar juntos.

Como inovar no mercado de games?

O mercado de games em si é um motor frenético de inovações e não vai parar de trazer coisas novas e se introjetar e massificar tecnologias que estão chegando. A pergunta da vez é como uma marca pode inovar dentro do universo dos games. Ainda sinto que faltam três coisas.  Em primeiro lugar, conhecimento holístico do universo de games. O mundo dos games não se resolve somente a fazer um mapa no metaverso ou patrocinar equipe de eSports, é muito mais que isso. Em segundo, estratégia focada em traduzir os objetivos da marca em projetos e ações práticas e relevantes no mundo de games. As atividades da marca não podem ser soltas, sem continuidade. É preferível não fazer nada do que fazer algo sem estar amarrado, sem geração de resultado, sentido lógico e perenidade. E em terceiro lugar, falta criatividade: trabalhar algo relevante e criativo dentro de games exige repertório específico e um pensamento amplo, não podemos pensar em criar algo dentro dos games da mesma maneira que fazemos publicidade, as coisas funcionam diferentes por lá.

Quais as habilidades mais importantes para alguém se destacar como empreendedor nesse ramo?

Eu diria que curiosidade, coragem e iniciativa. Tudo que a inovação exige de uma maneira geral é preciso para conseguir se destacar em games, porque – apesar de a indústria ser bilionária e já existir há tempos – a entrada de games como negócio para grandes empresas e marcas vem tentando ser construída, mas ainda precisa de mais maturidade. Sem curiosidade, coragem e iniciativa, as marcas podem correr o risco de ainda achar que é um nicho e duvidar delas mesmas, questionando se deveriam entrar ou não nesse mundo. É como se questionasse a relevância da TV quando ela chegou.

Qual o seu conselho para uma marca que ainda não teve nenhum contato com este mercado, há espaço para todos?

Assim como o grande objetivo de toda marca é gerar experiências incríveis e fazer seus consumidores experimentarem sua marca, produto ou serviço, eu diria: experimente. Se permita e permita que sua marca e negócio experimentem o mundo dos games. Aprenda, gere valor, mensure resultados e entenda qual a estratégia será seu norte. Por isso o Programa “Desce pro Play” é tão relevante neste momento, é possível ganhar velocidade e expertise para fazer isso neste exato momento.

 Como combater a desigualdade no mundo gamer?

Acredito que toda tecnologia tem um estágio inerente à democratização. A TV que era de tubo virou de plasma, de LCD, de LED, 4K e assim vai. A modernização e barateamento dos hardwares vêm fazendo um papel interessante nisso, assim como penetração de internet e em seguida o 5G que vem chegando. Eu também acredito muito fortemente no papel que temos como sociedade de impulsionar projetos sociais com gamers, e empoderar pessoas pretas, mulheres e LGBTQIA+ para influenciarem cada vez mais pessoas não só para quebrarmos desigualdades em relação a condição econômica, mas para também trazermos mais diversidade social para o meio. 

 O que está por vir no horizonte de negócios gamer?

Acredito que ainda teremos muito avanço na integração e evolução do metaverso para os games, não só com as pessoas e jogadores em si, mas também com marcas e negócios. Acredito que ainda tem muita gente para entrar e jogar no metaverso, e as novas gerações nasceram já conhecendo universos e moedas digitais desde sempre. A descentralização das finanças (Defi) junto com DNVBs (Digital Vertical Native Brands) serão chave para novos desenvolvimentos e o crescimento da indústria, assim como os jogos Play To Earn, em que as pessoas jogam para ganhar dinheiro. Tudo isso pautado pelas criptomoedas e NFTs. Apesar de serem palavras do momento (mas já existiam no universo dos games há algum tempo), agora a integração com negócios e empresas fora do mundo dos games irá acontecer mais massivamente e chegará em muito mais pessoas. Uma das melhores maneiras de pisar nesse mundo de tanta coisa nova é através dos games.

SOBRE A AUTORA

Ana Beatriz Camargo é jornalista, heavy user de redes sociais e escreve sobre o mundo dos games.