POR SHIRIN TREHAN TOOR

Colegas de trabalho e clientes têm passado mais de um ano interagindo por meio de uma tela de computador. Na maioria das vezes, o contato visual é restrito e não há uma única conversa que escape do alerta: “você está no mudo”. 

A boa notícia é que algumas das habilidades desenvolvidas e aprimoradas durante o trabalho remoto podem fazer a diferença para tirar as teias de aranha do presencial. Na volta ao escritório, essas habilidades ajudam a trazer inovação e colaboração de maneiras mais perspicazes.

Com a chegada do trabalho híbrido, estas três dicas ajudarão a manter as engrenagens funcionando. 

INCLUSÃO EM OUTROS NÍVEIS

No home office, os colaboradores dependem de ferramentas de gestão online, conversas por chat e planos de produtividade para mensurar o engajamento no trabalho. Esses recursos permitem estender o alcance de quem se envolve nas tarefas e de onde a expertise é extraída. 

Profissionais de diferentes regiões do país — que nunca estariam em uma reunião antes da pandemia — agora têm a chance de trabalhar juntos. A colaboração não é mais limitada por local, atribuição da área ou função. Por isso, é importante planejar momentos de troca e conversa informal entre a equipe. O compartilhamento de conhecimentos diversos estimula a criatividade e inspira soluções para os desafios. 

Manter essa parceria entre departamentos é fundamental, mesmo que algumas pessoas retornem ao escritório e outras não. O uso frequente de ferramentas e técnicas de colaboração virtual promove diferentes maneiras de contribuir e oferecer informações significativas. Contar com uma ampla gama de pessoas traz agilidade aos processos e a liderança tem a oportunidade de recorrer a colegas de outras áreas, diversificando conversas, reuniões e equipes.

BOAS IDEIAS SURGEM DA REUNIÃO DE PERSPECTIVAS

Quando os líderes empenham-se para incluir diversas perspectivas que, de outra forma, poderiam ser perdidas, a tomada de decisões tende a ser mais inteligente. Para muitas pessoas, expressar ideias (até as mais inusitadas) acaba sendo mais fácil em um ambiente remoto. Os introvertidos podem participar de bate-papos em videoconferências e ativar o som, mesmo com a câmera desligada.

Sempre há vozes mais altas e pessoas que não falam tanto assim. Para que boas ideias não sejam perdidas, estabelecer um ambiente confortável encoraja a participação de todos, inclusive para os que optarem participar de forma virtual.

Os grupos de insights e bate-papo remotos são ferramentas que dão às lideranças a potencialidade de levantar vozes proativamente. Não há motivo para que plataformas colaborativas e o gerenciamento online fiquem em segundo plano no escritório. Na verdade, muitas pessoas perceberam que têm ideias mais ousadas ao usá-los.

ASSINCRONIA COMO ALIADA 

Diversas atividades puderam se desenvolver no meio virtual trazendo resultados melhores e mais rapidamente, embora algumas pessoas trabalhem cedo, outras o fazem durante a noite ou em qualquer horário que estabelecem. O que parecia ser, no início, uma colaboração desconexa foi se tornando algo funcional. 

Adaptar a sincronia do trabalho presencial ao modelo remoto exigiu uma série de flexibilidades que permitem aos profissionais contribuírem mais no próprio ritmo. Uma pessoa pode trabalhar em uma parte de um projeto em um determinado momento e outras podem fazer o mesmo.

Trabalhar juntos, separados, se mostrou viável e produtivo, por isso, é fundamental manter esse novo tipo de envolvimento com o trabalho e com os outros. Mesmo pessoalmente, a liderança pode aproveitar as práticas que adotou para gerenciamento virtual e criar processos paralelos para pequenos grupos trabalharem de forma assíncrona. Em seguida,  a equipe pode ser reunida para discutir os resultados e as próximas etapas. Os resultados e a colaboração serão mais fortes se a empresa não voltar aos velhos hábitos e formas de trabalhar.

Cada transição imposta pela pandemia — seja o trabalho remoto ou o retorno ao escritório — criará descontentamentos. É importante continuar ouvindo, aprendendo e desenvolvendo as habilidades sociais. A lacuna entre os hábitos de trabalho definidos durante a pandemia e o modelo híbrido é preenchida com as boas lições apreendidas.   

SOBRE A AUTORA

Shirin Trehan Toor é diretora do Centro de Excelência BXT da PricewaterhouseCoopers, bem como especialista em design colaborativo que ajuda equipes e lideranças a pensar de maneira criativa.