5 perguntas para se fazer antes de divulgar uma “grande ideia”

Uma boa checagem, mesmo para quem está acostumado com trabalho criativo, pode evitar que muitas bobagens venham à luz

Crédito: Istock

Robin Landa 3 minutos de leitura

Por favor, não conte ao doutor que fui eu quem disse isso, mas preste atenção: médicos que trabalham em hospitais, mesmo os mais experientes, nem sempre se lembram de lavar as mãos antes de atender um paciente.

Pensando nisso, o diretor do Instituto Armstrong para Segurança e Qualidade no Atendimento a Pacientes, Peter j. Pronovost, instituiu uma checklist a ser observada por todos que lidam com pacientes, com o objetivo de reduzir os casos de infecção hospitalar. A lista inclui o óbvio “lavar as mãos”.

Uma vez implementada a prática de seguir a lista no hospital Johns Hopkins, em Baltimore (EUA) – ao qual o instituto é ligado –, as taxas de infecção despencaram.

O que poderia ser mais básico do que lavar as mãos? Acontece que essa medida fundamental nem sempre foi protocolo hospitalar. Foi em 1846 que o doutor Ignaz Semmelweis veio com a ideia de que, ao examinar pacientes ou fazer cirurgias, os médicos deveriam higienizar as mãos.

qualquer especialista tem que pensar em muitas coisas durante o desenvolvimento de uma ideia ou projeto.

Mas o que isso tem a ver com gerar novas ideias?

Assim como os médicos têm que lidar com as complexidades da sua profissão, qualquer especialista tem que pensar em muitas coisas durante o desenvolvimento de uma ideia ou projeto. É preciso se assegurar de que todas as metas desejadas estão sendo levadas em conta e não perder de vista nem os fundamentos do negócio nem os objetivos e a missão dos criadores.

Nesse sentido, fiz uma lista de pontos fundamentais a serem checados, de modo a ajudar os profissionais a não se desviar do caminho nem espalhar germes – quer dizer, ideias ruins. Como aquela checagem que os pilotos de avião repassam a cada voo, esta lista serve bem em situações normais, mas também quando se está sob pressão.

O cirurgião Atul Gawande, autor do livro “Checklist – Como Fazer as Coisas Bem-Feitas”, conta a história de um grupo de pilotos de teste que, em 1935, se juntaram após um trágico acidente com um avião modelo 299 devido a um “erro humano”.

Eles criaram uma lista de checagem com o passo a passo de verificações antes da decolagem, do pouso e das manobras de taxiamento na pista. Para o grupo, as novas aeronaves eram complexas demais para se deixar que os pilotos confiassem apenas na memória na hora de conferir se estava tudo certo.

SUA IDEIA GABARITA ESSA CHECKLIST?

1 . Missão

– Quando a ideia inicial surgiu, você levou em consideração a missão da empresa?

– A ideia está alinhada com os valores corporativos e com os objetivos mais amplos da organização (além das metas mais imediatas do projeto em questão)?

2 . Equidade

– A ideia leva em conta aspectos como diversidade, igualdade e inclusão?

– Ela foi apresentada a pessoas com diferentes pontos de vista para que dessem sua opinião?

3 . Vantagens

– Estão sendo considerados os benefícios para as pessoas, o planeta e a lucratividade?

– É uma ideia que produz bons resultados sem prejudicar nada nem ninguém (o tal cenário ganha-ganha)?

4 . Consequências negativas

– Já pensou em tudo o que pode dar errado?

5 . Sucesso

– Até que ponto a organização terá sucesso se a ideia for implementada?

CRÍTICAS DESCONSTRUTIVAS

Você já deve ter ouvido falar de escolas de pensamento que refutam novas ideias vindas de pessoas consideradas inovadoras. Pense na reação dos críticos de arte da época (fim do século 17) à pintura impressionista de Claude Monet, ou na dos arquitetos ao projeto do Centro Georges Pompidou, em Paris (hoje considerado um clássico) nos anos 1970.

Centro Georges Pompidou (Crédito: Divulgação)

Mesmo a prática de lavar sempre as mãos foi contestada pelos médicos de Viena no tempo de Semmelweis. A ideia parecia controversa, embora estivesse correta. Higienizar as mãos é uma atitude simples, porém extremamente eficaz na prevenção de infecções.

Lavar as mãos evita a disseminação de germes, inclusive aqueles resistentes a antibióticos, que estão se tornando mais comuns e são muito difíceis (se não impossíveis) de tratar. Ter à mão uma lista com pontos a serem checados, mesmo para quem está acostumado a trabalhar com criatividade, só traz benefícios. Assim, lembre-se de sempre higienizar suas ideias – e não esqueça de lavar as mãos.


SOBRE A AUTORA

Robin Landa é professora na Universidade Kean e autora de 25 livros sobre design, branding e criatividade. saiba mais