POR ADRIAN GRANZELLA LARSSEN

Cometer erros é inevitável. Desde pequenas coisas – como clicar em Responder ao invés de Encaminhar – até arrependimentos de anos, como ficar muito tempo em um emprego mais ou menos, esses percalços podem parecer o fim do mundo. Mas, na verdade, dificilmente eles são; é só perguntar para estas sete mulheres. Hoje elas lideram equipes de sucesso e podem olhar pra trás e ver que o caminho não foi perfeito o tempo todo. Contudo, elas não só seguiram em frente, mas também perceberam que os “erros” trouxeram lições que elas levaram por toda a carreira.

“NÃO ME ARRISQUEI”

No começo de sua carreira, Reshma Saujani tinha todos os traços tradicionais de sucesso. “Eu passei a minha vida inteira tentando me credenciar, ser a oradora da turma, conseguir um emprego perfeito em um grande escritório de advocacia,” diz ela. O problema? Por dentro, ela estava péssima. 

“O desejo de ser perfeita me segurou,” diz ela. “Não me arriscar fez com que a minha paixão – organizar e lutar por outras mulheres e meninas – fosse um projeto paralelo por muito tempo.” 

Quando ela percebeu o quão infeliz estava, largou seu emprego e decidiu concorrer nas eleições. Ela perdeu, mas essa foi a primeira vez que ela realmente se sentiu feliz em sua vida profissional. “Eu me arrisquei; e falhei miseravelmente, mas me senti mais viva do que nunca porque não estava mais cheia de arrependimentos.” No fim, a experiência a incentivou a correr ainda mais riscos, como fundar a organização sem fins lucrativos Girls Who Code, que já ensinou habilidades técnicas para mais de 185 mil meninas. 

Seu conselho? “Eu encorajaria outras mulheres a serem corajosas, não perfeitas,” ela diz (e escreve em seu livro de mesmo nome). Ela explica que isso pode tomar a forma de fundar uma empresa, voltar para a escola, retomar um hobby esquecido, ou até mesmo enviar um e-mail com um erro de digitação – proposital. “Uma vez que percebemos que nossos erros não irão nos matar e que a perfeição não está nos levando a lugar nenhum, nada pode nos parar.”

“TENTEI SER ALGUÉM QUE EU NÃO ERA”

Julia Collins, a cofundadora da Zume Pizza, o império de fabricação e entrega de pizzas recentemente avaliado em $2.25 bilhões, e agora CEO da Planet Forward, que busca ser a primeira marca regenerativa de alimentos, sabe um pouco sobre como liderar uma empresa. 

Mas no começo de sua carreira ela sentia uma enorme pressão para se adequar ao estilo de liderança daqueles ao seu redor – mais especificamente seus chefes, homens e mais velhos. “Eu me lembro de tentar mudar minha aparência e até meu tom de voz para parecer mais masculina e, pelo menos para mim, ter mais autoridade,” conta. Olhando para trás, reconhece que foi um erro. “Eu não só me sentia totalmente estranha nesta máscara, como era menos eficiente como líder e tinha mais dificuldade de lidar com meus colegas.”

Desde então, ela aprendeu a fazer exatamente o oposto: a ir trabalhar como ela mesma, antes de qualquer coisa. Collins recomenda fortemente que as outras mulheres façam o mesmo. “Eu acredito que o mundo necessita de outro tipo de liderança,” diz ela. “É hora de abandonar boa parte do enredo sobre como os líderes devem parecer e se portar.” 

“NÃO PEDI AJUDA”

Julie Zhuo teve uma ascensão meteórica no Facebook— ela começou como designer de produtos e agora é VP de design de produtos. Ela relatou sua experiência no livro The Making of a Manager.

Porém, no início ela batalhou contra a síndrome do impostor. Trazendo consigo um diploma em ciências da computação, ela se comparava com seus colegas, muitos dos quais possuíam um currículo mais tradicional com escolas de design. “Eu me sentia como se tivesse que fingir todo dia que eu era designer,” diz. Ela trabalhava com afinco para deixar seu trabalho perfeito, sem pedir ajuda a outros designers com medo deles pensarem que cometeram um erro ao contratá-la. 

Em retrospecto, ela admite que esta foi uma forma muito mais lenta de aprender. “Se eu tivesse sido mais proativa ao tentar conseguir feedbacks dos designers que eu admirava, eu teria conseguido estas perspectivas muito antes e teria tido mais atenção individual,” diz.  “Conforme eu me tornei mais experiente e comecei a ser mentora de designers juniores, os que mais me impressionavam eram aqueles que iam longe para mostrar que o trabalho deles não estava perfeito e que não deixavam seus egos atrapalharem o trabalho.” 

Hoje, ela pede ajuda sempre que pode. “Eu aprendi esta lição da forma mais profunda quando tive meu primeiro filho,” lembra. “Tudo parecia novo e a falta de confiança vazou para o ambiente de trabalho.” Ela acabou contratando um coach e procurou outras mães na empresa – ambas as atitudes tornaram-na mais eficiente como mãe e como funcionária. “Eu percebi como é importante não fingir que tudo está bem e procurar ajuda e apoio quando eu preciso.” 

“EU SÓ OLHAVA PARA O MEU TRABALHO”

Ambika Singh começou sua carreira na Microsoft no Marketing e, como muitos profissionais, fez tudo o que podia para ter sucesso no trabalho. Contudo, a fundadora e CEO da empresa de aluguel de roupas Armoire acredita que as lições mais importantes foram encontradas fora do trabalho.


“Na Microsoft havia muitos treinamentos e foco em como operávamos,” diz. “Mas o que realmente importava era conhecer e construir relacionamentos com pessoas que me acompanhariam ao longo de toda minha carreira.”

Ela acabou encontrando estas pessoas fora do trabalho. Na verdade, um dos apoiadores mais importantes da Armoire foi um antigo colega de Microsoft com quem ela passava o tempo fazendo trabalhos voluntários e trilhas na natureza. “Se você encontra uma maneira de fazer amigos—não contatos—através de atividades beneficentes ou hobbies ou alguma coisa que te permita realmente conhecer as pessoas fora da organização, isso é muito mais poderoso,” afirma.

Singh dá o mesmo conselho para obter habilidades concretas. Na Microsoft ela se especializou em marketing e SEO, mas rapidamente percebeu que precisava aprender outras competências importantes para o seu negócio. Ela se forçou a construir uma base sólida em finanças, por exemplo, e hoje pensa que gostaria de ter aprendido programação.  “É a forma como construímos as coisas no mundo moderno,” ela explica. “Mesmo que você não construa tudo, entender o processo é assumir o controle do seu próprio destino.”

“USEI UM EXTRATOR DE LEITE EM UMA REUNIÃO”

Rebecca Minkoff construiu um império global – suas marcas passam por roupas, bolsas, acessórios, sapatos e outras coisas em mais de 900 lojas ao redor do mundo.

Mas, no começo da sua carreira, ela aprendeu que os costumes nos Estados Unidos não são os costumes de todos os lugares. Eu estava no Japão para uma reunião e precisava desesperadamente extrair o leite materno,” ela lembra. Como ela costumava fazer nos EUA, ela começou a tirar seus acessórios para a extração. De repente, os homens começaram a falar rapidamente entre eles em japonês, se levantaram e saíram correndo da sala. “Acho que a reunião acabou naquele momento.”

Mas ela não chama isso necessariamente de um erro — somente um momento engraçado. Para ela, foi um lembrete de que as responsabilidades de mãe não podem ser subjugadas a reuniões e prazos. “É sobre aceitar as coisas como elas são, manter o respeito e manter-se fiel a si mesma”, define. 

Hoje, o conselho que ela leva consigo, independente de quais decisões de negócio deve tomar, é o de seguir seu instinto. “No começo, muitas pessoas sugeriram que eu não trabalhasse com influenciadores ou diziam para eu me associar com um revendedor ao invés de outro. Eu teria corrido mais riscos no início, se eu soubesse.”

“NÃO ASSINEI UM CONTRATO”

Brittney Escovedo, fundadora da produtora experimental de eventos Beyond8, já planejou eventos ao redor do mundo para empresas como Gucci, Atlantic Records, Essence e W Hotels.

Mas um evento não sai da sua cabeça: seu primeiro desfile em Paris, um evento que ela sonhava em produzir. Conforme a data do evento ia se aproximando, ela percebeu que o cliente não tinha assinado o contrato – nem transferido o dinheiro para ela pagar seus fornecedores. “Todo dia recebíamos a promessa de que a transferência estava vindo, mas ela nunca chegava,” diz ela. 

Após enrolar o máximo que pôde, ela finalmente disse ao cliente que não iria continuar caso o dinheiro não fosse transferido até a manhã seguinte. “Eu estava morrendo de medo que meu sonho não fosse se realizar, que os nossos esforços haviam sido em vão, que nós perderíamos dinheiro – nós perderíamos todo nosso pagamento – e que eu me queimaria com os fornecedores,” lembra. “Mas eu me arrisquei e confiei no meu instinto, sabendo que eu não estava mais disposta a ceder.” 

 A experiência ensinou lições cruciais, além de assinar um contrato e ter um bom advogado para fazê-lo valer. “O lado bom foi que eu descobri minha força sob pressão e como os limites são importantes,” diz ela. “Para uma mulher, pode ser desconfortável dar uma opinião, traçar um limite ou reclamar aquilo que merecemos, mas é necessário.”

“NÃO CONSEGUI O EMPREGO – DUAS VEZES”

Ann Shoket é famosa por ter sido a editora-chefe da revista Seventeen. Mas ela tentou uma vaga em uma grande revista duas vezes antes de conseguir. 

“Na primeira vez,” recorda, “eu me preparei por semanas com planilhas e papéis espalhados por todo meu apartamento minúsculo… e fui apresentar a ideia para minha chefe, a presidente das revistas Hearst, Cathie Black, com notas escritas em cartões que estavam literalmente tremendo junto com minhas mãos.” O projeto não foi aprovado e, relembrando hoje, ela sabe que não estava preparada. Na segunda vez ela estava preparada, mas um editor com uma década a mais de experiência ficou com a vaga. 

Ela não vê estas experiências como fracassos – longe disso. “Eu acho que quando você tenta algo grande e não consegue, você se torna mais forte, esperta, resiliente para a próxima luta,” diz ela. Na realidade, ela aconselha outras mulheres a colocarem-se em situações em que elas não irão ganhar. “Se você é bem-sucedida todas as vezes, não está se desafiando o suficiente e não está crescendo.” 

Agora, em sua nova vida como autora de The Big Life e fundadora da The Badass Babes Community, ela vê os obstáculos desta maneira. “Sempre que algo não dá certo, sei que estou me preparando para quando a oportunidade certa aparecer.”

SOBRE A AUTORA

Adrian Granzella Larssen é fundadora do Sweet Spot Content foi editora-chefe do TheMuse.com, Ela teve publicações no Wall Street Journal, Harper’s Bazaar, Real Simple, entre outros e é autora do Your Year Offum guia digital para viagens ao redor do mundo. Conecte-se no LinkedIn ou siga suas viagens no Instagram.