Todas as pessoas já conheceram um chefe ou um colega de trabalho que é rude ou abusivo — mas essas condutas aparentemente são incomuns.

Pesquisadores analisaram o comportamento no ambiente de trabalho entre funcionários de uma indústria de tecnologia na China e uma série de escritórios e redes de restaurantes nos EUA. Eles descobriram que, embora 70% dos colaboradores experimentassem “incivilidade” no trabalho, apenas 16% das relações incluíram maus-tratos. Em outras palavras, a vasta maioria das interações durante o expediente são agradáveis, mas a maior parte dos trabalhadores tem um colega difícil ou abusivo.

“A maioria dos relacionamentos não é caracterizada por grosseria”, comenta Shannon Taylor, professora associada de administração da University of Central Florida e co-autora do estudo publicado no Journal of Applied Psychology

Pesquisas anteriores sobre relacionamentos no local de trabalho indicavam o tratamento abusivo como uma “epidemia”, mas, na prática, a maioria das interações rudes pode ser atribuída a um número muito pequeno de colegas de trabalho. Ou apenas a uma pessoa.

Essas interações tóxicas têm consequências correlatas. Um artigo publicado esta semana no BMJ sugeriu que “o bullying em uma unidade de trabalho pode afetar negativamente não só a vítima, mas também o ofensor e os membros da equipe que testemunham esse comportamento”, diz Maureen Dollard, membro do Conselho de Pesquisa Australiano que analisou 3.921 funcionários ao longo de um ano no país. “Não é incomum que todos na mesma unidade sofram burnout como resultado.”

A vantagem dessas descobertas é que o comportamento abusivo é relativamente fácil de localizar e erradicar em cada um dos funcionários. As pesquisadoras da University of Central Florida concluíram que as culturas no ambiente de trabalho que incentivam a gratidão e o apreço são essenciais para reduzir a incivilidade, pois as percepções dos funcionários sobre como os colegas deveriam tratar uns aos outros têm forte impacto sobre os comportamentos.

“Os empregadores devem garantir que existam normas rígidas de respeito e civilidade no local de trabalho”, afirma Lauren Locklear, estudante de doutorado em administração na University of Central Florida. “Ter uma política de tolerância zero para esses comportamentos rudes é a chave para impedir os maus-tratos em seu caminho.”

SOBRE A AUTORA

Arianne Cohen é jornalista freelancer