Como saborear o sucesso e acabar com sua síndrome de impostor

Faça seus pensamentos trabalharem a seu favor e não contra você

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Melody Wilding 6 minutos de leitura

Uma de minhas clientes, uma consultora de marketing experiente, já tinha um currículo de peso quando me procurou. Ao longo de sua carreira de 20 anos, ela havia recebido muitos prêmios da indústria e chegou a ser promovida duas vezes em um mesmo ano. Apesar de todas essas conquistas e dos elogios que recebia, ela vivia assombrada pela sensação de inadequação.

Quando nos conhecemos, ela desabafou: “tenho medo de que, a qualquer momento, meu chefe e meus colegas percebam que não faço ideia do que estou fazendo. Não sou realmente uma especialista, estou simplesmente inventando coisas, improvisando conforme sigo em frente.”

Minha cliente estava lutando contra a síndrome do impostor, uma crença na insuficiência e na falsidade intelectual descrita pela primeira vez por psicólogos em 1978. Hoje, os cientistas estimam que cerca de 82% das pessoas enfrentam essa síndrome, que pode incluir a sensação de ter enganado os outros, fazendo-os acreditar que são mais inteligentes e capazes do que realmente são.

Pessoas com síndrome do impostor têm dificuldade em internalizar seus sucessos.

Ao atender profissionais de alto escalão na última década, testemunhei que essa dúvida crônica paralisa incontáveis indivíduos inteligentes na hora de compartilhar suas ideias, de defender novas oportunidades, de assumir riscos e até mesmo de praticar o tão necessário autocuidado.

No cerne da síndrome do impostor, o que existe é uma desconexão entre a autopercepção de uma pessoa e a realidade à sua volta. Embora o indivíduo possua habilidades, treinamento, diplomas e tenha um histórico de realizações, sente dificuldade em atribuir seu sucesso à sua competência.

Em vez disso, a pessoa atribui seu sucesso à sorte, ao timing, ao seu charme ou até mesmo à sua boa aparência. Pessoas com síndrome do impostor têm dificuldade em internalizar seus sucessos. Mas é possível superar isso, recondicionando o pensamento e internalizando sucessos – sem se tornar arrogante.

1. Reveja seus conceitos sobre autoconfiança

Não esqueça de que há uma grande diferença entre ter um nível saudável de autoconfiança e sofrer de excesso de

No cerne da síndrome do impostor, o que existe é uma desconexão entre a percepção de si mesmo e a realidade.

confiança. Aqueles com autoconfiança em um grau saudável não apenas têm segurança em seus julgamentos e pontos fortes como também sabem mostrar humildade e admitir suas fraquezas. Pessoas superconfiantes superestimam a própria competência e acham que podem se destacar em áreas nas quais não têm conhecimento.

Talvez você tenha pensado que ser rígido consigo mesmo é o que o mantém na briga pelo topo. Mas a pesquisa mostra que a autocrítica é uma estratégia ruim. Quando usada excessivamente, ela é consistentemente associada a menos motivação, ao autocontrole reduzido e à procrastinação.

Em vez disso, tente entender como você pode adotar uma abordagem mais compassiva consigo mesmo. Por exemplo, se um amigo contasse sobre algo que conseguiu conquistar você diria “que sorte, hein?” ou daria parabéns? Pois é.

2. Mude sua percepção

No final da década de 1990, os psicólogos cunharam o termo “estilo explicativo” para descrever a maneira como as pessoas interpretam os eventos que acontecem com elas. Pessoas com síndrome do impostor tendem a ter um estilo explicativo pessimista. Quando algo bom acontece, tendem a atribuí-lo a fatores externos, como sorte ou timing. Elas veem qualquer sucesso como temporário e passageiro.

A boa notícia é que é possível se treinar para ter um estilo

Quem tem um grau saudável de autoconfiança sabe mostrar humildade e admitir suas fraquezas.

explicativo mais otimista, o que comprovadamente leva a mais felicidade, motivação e produtividade. Esse estilo pode ajudá-lo a interpretar eventos positivos que acontecem com você como resultado de fatores internos, como suas capacidades ou esforços inerentes – e é mais duradouro.

Pense em alguma coisa que ocorreu nos últimos tempos e tente explicá-la em estilo pessimista e otimista. Por exemplo, suponhamos que você tenha sido destacado para participar de um projeto importante. Em lugar de assumir que foi escolhido porque o cliente gosta de você (estilo pessimista), pense em como sua experiência, qualificação e habilidades contribuíram para essa indicação.

3. Aceite elogios

Quando alguém elogia seu trabalho, você corre para dizer: “imagina, isso não foi nada demais”? Quando se experimenta a síndrome do impostor, o elogio pode criar uma dissonância cognitiva. O feedback positivo sobre suas capacidades não se encaixa em sua autoimagem atual, então você o rejeita.

Da próxima vez que alguém fizer um elogio, tente recebê-lo com gratidão. Resista ao impulso de reagir com uma série de justificativas constrangidas sobre por que sua conquista não é lá essas coisas.  Atenha-se a uma resposta curta e simples, algo como “obrigada por ter notado, fico feliz” ou “você me deixou lisonjeado”.

4. Crie uma lista das suas conquistas 

Atingir seus objetivos é ótimo, mas você nunca ganhará confiança se simplesmente passar para a próxima etapa sem parar para comemorar suas vitórias. Ao fazer isso, seu corpo libera endorfinas que reforçam a sensação de competência. Uma maneira simples de fazer isso é criar um arquivo só para anotar suas pequenas e grandes conquistas, um local onde você mantém um registro de suas vitórias no trabalho.

Da próxima vez que alguém fizer um elogio, tente recebê-lo com gratidão.

Uma lista de vitórias pode ajudá-lo a olhar para trás com um sentimento saudável de orgulho profissional. Suas anotações podem incluir realizações como atingir um marco importante ou palavras gentis de clientes, colegas ou de seu gerente. Essa lista pode ajudá-lo a entender melhor suas habilidades.

5. Amplie sua definição de sucesso

A síndrome do impostor está intimamente ligada ao perfeccionismo, o que pode levar a pessoa a definir a realização de uma forma hiperespecífica – excelência completa e total em todos os momentos.

Para vencer a síndrome do impostor, não é preciso diminuir o nível de exigência, mas deve-se ampliar o escopo do que se qualifica como uma “vitória”. Dê a si mesmo mais crédito por momentos de força que aumentam sua resiliência e desenvoltura, ampliando sua definição de sucesso para incluir:

• Superação de medos 

• Conseguir ter conversas difíceis

• Defender suas ideias

• Estabelecer limites

• Conseguir olhar para uma mesma situação com outros olhos 

• Dar um pequeno passo em direção a um objetivo

Reserve alguns momentos no final do expediente para recapitular os pontos dos quais você se orgulha. Pesquisas mostram que “saborear” – a prática psicológica de refletir e apreciar momentos positivos – pode aumentar os sentimentos de satisfação e autoeficácia.

Com um pouco de esforço e intencionalidade, você conseguirá fazer seus pensamentos trabalharem a seu favor, em vez de contra você, e garantir que a síndrome do impostor não roube sua alegria.


SOBRE A AUTORA

Melody Wilding é coach executiva e autora de "Trust Yourself: Stop Overthinking and Channel Your Emotions for Success at Work" (Confie... saiba mais