O trabalho remoto rapidamente se tornou regra, mas a maioria das empresas está simplesmente replicando os fluxos de trabalho presenciais para o online, de acordo com uma nova pesquisa do GitLab.

Você se lembra quando os primeiros desenvolvedores de internet criaram sistemas de organização online que literalmente copiava os escritórios, apropriando-se de arquivos, gavetas e pastas em formato digital, com imagens e tudo mais? Pois é assim que as empresas estão lidando com o trabalho remoto, de acordo com o novo e abrangente relatório sobre trabalho remoto do GitLab.

O documento, que foi compartilhado com a Fast Company e divulgado nesta terça-feira, 04, inclui os resultados de uma pesquisa com cerca de 4 mil trabalhadores remotos em seis continentes. As descobertas sugerem que, embora o trabalho remoto tenha se tornado rapidamente a regra, a maioria dos escritórios não está, de fato, fazendo trabalho remoto assíncrono. Eles estão simplesmente replicando seus fluxos de trabalho presenciais para o online.

O Remote Work Report, relatório inaugural lançado apenas algumas semanas antes do coronavírus entrar em nosso léxico coloquial, descobriu que o trabalho remoto estava atolado em questões de logística e eficácia, mas 86% dos entrevistados acreditavam que “ele [o trabalho remoto] é o futuro”. Esse futuro, é claro, desabou muito mais rápido do que qualquer um esperava.

A pesquisa deste ano indica uma grande evolução: os trabalhadores estão entusiasmados com o trabalho remoto, mas os locais de trabalho ainda estão descobrindo como fazê-lo funcionar: 80% dos trabalhadores recomendariam essa modalidade, mas dois terços dizem que as empresas não estão fazendo um bom trabalho “para alinhar o trabalho entre os projetos”.

Enquanto isso, apenas 10% usam uma ferramenta de colaboração visual, e apenas 1 em 5 um aplicativo de gerenciamento de projeto ou tarefa, enquanto a maioria “ainda usa ferramentas usadas para fluxos de trabalho centrados no escritório e em grande parte síncronos”, escrevem os autores do relatório. Setenta por cento das organizações usam ferramentas como vídeo, chat e telefone, todas projetadas para o sincronismo. (O GitLab, é claro, tem seus interesses. É um defensor ferrenho do trabalho remoto e tem uma força de trabalho totalmente remota há anos.)

Apesar das condições de trabalho nada perfeitas durante a pandemia, muitos trabalhadores relataram vantagens no trabalho remoto, de acordo com a pesquisa:

  • 42% relataram aumentos na produtividade
  • 38% relataram aumentos na eficiência
  • 24% relataram menos burocracia e política de escritório (amém)

Alinhados a outras descobertas recentes da pesquisa, os trabalhadores agora esperam poder optar pelo remoto: Um em cada três se recusa a voltar ao trabalho e à rotina diária e diz que vai pedir as contas se não for possível continuar de forma remota.

A pesquisa também foi financiada por um trio de outras empresas remotas: Dropbox, Qatalog e SafetyWing.

SOBRE A AUTORA

Arianne Cohen é jornalista freelancer