Por que as empresas deveriam contratar “especialistas generalistas”

O futurista da Deloitte explica como a IA está chegando aos locais de trabalho e o que de fato o metaverso representa

Crédito: Istock

Wilfred Chan 3 minutos de leitura

Seu local de trabalho já entrou no metaverso? A inteligência artificial deve ser implementada em grande escala? Até que ponto os chefes devem se esforçar para reter “engenheiros 10x”?

A consultoria de gestão Deloitte abordou essas questões em seu 14º relatório anual Tech Trends, que visa identificar avanços que devem ser “implementados para a transformação dos negócios nos próximos 18 a 24 meses”.

Na ocasião, a Fast Company conversou com o chief futurist da Deloitte, Mike Bechtel, sobre as principais conclusões do relatório.

O METAVERSO NÃO É APENAS UMA MODINHA

Apesar do hype e da controvérsia sobre o chamado metaverso, “o que estamos observando na prática é que, para as empresas, a adoção de realidade virtual, realidade aumentada – e, em alguns casos, de mundos virtuais – é apenas a próxima evolução para simplificar a interação,” diz Bechtel.

tecnologias imersivas podem ajudar as empresas em coisas como prototipagem, experimentação e treinamento.

O metaverso não se resume a um conceito criado por Mark Zuckerberg, com avatares sem pernas em uma sala de conferência virtual.  As tecnologias imersivas também podem ajudar as empresas em coisas como prototipagem, experimentação e treinamento.

Bechtel apontou o exemplo do fornecedor de energia Exelon, que tem usado a realidade virtual para treinar pessoal para trabalhar em subestações elétricas. “Com uma solução de treinamento de realidade virtual, eles conseguem observar as simulações e dizer: ‘olha só, você se aproximou demais daquela peça enquanto segurava o martelo e foi por isso que levou o choque’”, ele exemplifica.

Embora a tecnologia de estilo metaverso ainda não seja uma “nova fonte brilhante de receita para todos”, “essas histórias de bastidores já estão mostrando retornos”.

CONFIE NOS NOVOS COLEGAS: OS ROBÔS

A adoção corporativa de inteligência artificial e tecnologia de aprendizado de máquina está se acelerando rapidamente. A questão não é mais se as empresas vão utilizá-las para processos cruciais, ou mesmo qual fornecedor usar, mas sim se a tecnologia pode funcionar “com agência e em escala” – diz Bechtel.

De acordo com o Tech Trends, a American Airlines usou recentemente um modelo de IA para reduzir um processo de atribuição de portão que levava quatro horas e que exigia que uma equipe trabalhasse até tarde da noite, para um procedimento de dois minutos e meio.

A adoção corporativa de inteligência artificial e tecnologia de aprendizado de máquina está se acelerando rapidamente.

Qual foi a chave para o sucesso desse modelo? Ter sido criado em conjunto com os planejadores do portão, que estão “emocionados, porque foram realocados para trabalhar durante o dia” em tarefas de nível superior, relata Bechtel.

Para que os funcionários convivam bem com seus novos “colegas robôs”, as empresas estão adotando “modelos de IA transparentes e explicáveis, cujas decisões podem ser compreendidas e cujo trabalho pode ser auditado, governado, questionado e aprovado”, diz Bechtel.

Isso será especialmente importante no caso de outro evento inusitado como a pandemia, que derrubou os modelos de big data em todo o mundo.

CONTRATE "ESPECIALISTAS EM SÉRIE"

Esqueça a falsa dicotomia entre especialistas e generalistas, ou a sanha para encontrar os alardeados “engenheiros 10x” – indivíduos considerados tão produtivos quanto outros 10 em sua área. Em vez disso, adote “especialistas em série”, sugere o relatório Tech Trends. 

pessoas de todas as idades têm trabalhado em algo por três anos e depois procurado mudar de área.

Esses são os termos que a equipe da Deloitte cunhou depois de pesquisar centenas de organizações sobre suas práticas de talentos. Segundo Betchel, eles descobriram que as empresas mais bem-sucedidas “reconhecem que pessoas de todas as idades têm trabalhado em algo por três anos e depois levantado a mão para dizer: 'estou entediado, quero mudar'."

"Essa tendência precisa ser encarada como um recurso, não como um problema”, diz o futurista. Isso significa cultivar planos de carreira internos que permitam aos funcionários progredir horizontalmente, entre diferentes habilidades e tecnologias.

Isso não tem acontecido apenas em pequenas startups, mas também em grandes empresas sindicalizadas como a Mercedes-Benz, onde novos contratos estabelecem que os trabalhadores devem se tornar “adeptos de novas experiências a cada três a cinco anos”.

“Dessa forma, a mudança é incorporada. Você se aprofunda, depois muda e depois se aprofunda em algo novo.”


SOBRE O AUTOR

Wilfred Chan é jornalista em Nova York e escreve para o jornal The Guardian e a revista New York Magazine, entre outras publicações. saiba mais