Sua mente pode sabotar seu sucesso. Aprenda a evitar essa armadilha

Ao estabelecer novos hábitos e padrões de pensamento, conseguimos manter nossas amígdalas sob controle e enfrentar situações difíceis

Crédito: rawpixel.com/ Giorgio Trovato/ Unsplash

Jasmine Quinn 5 minutos de leitura

Você já teve alguma reação física incontrolável no meio de uma conversa difícil? Algumas pessoas começam a suar frio quando, por exemplo, precisam confrontar um colega de trabalho grosseiro. Outras, tendem a ficar com o rosto todo vermelho quando estão ouvindo uma crítica negativa. Já quando se trata de um desentendimento no trabalho ou na vida pessoal, há os que se mostram mais sensíveis e os que se fecham completamente.

Essas respostas involuntárias de enfrentamento ou fuga acontecem até mesmo com as pessoas mais centradas, graças a um pequeno grupo de neurônios em forma de amêndoa: a amígdala cerebral. Ela é conhecida como o “cérebro reptiliano” – aquela parte primitiva da psique que está permanentemente em modo de sobrevivência, agindo apenas por instinto.

Essa resposta intensa ao conflito interpessoal é conhecida como “sequestro da amígdala” ou “sequestro emocional”. É o seu cérebro dizendo para você lutar, fugir ou congelar, mesmo que não haja ameaça física real.

Você sabe que uma conversa tensa não é necessariamente uma questão de vida ou morte, mas sua amígdala, não. O problema é que quando nossas respostas são desproporcionais à gravidade da situação, corremos o risco de ser percebidos como “difíceis de trabalhar” ou de perder a confiança em nós mesmos.

o “cérebro reptiliano” é a parte primitiva da psique que está permanentemente em modo de sobrevivência, agindo apenas por instinto.

As mudanças da era da pandemia exigiram que ampliássemos a empatia, o cuidado e a conexão que trazemos para nossas interações. Isso é necessário porque as respostas da amígdala são ampliadas quando estamos lutando com a saúde mental – e este mundo em que vivemos há dois anos teve um enorme impacto no bem-estar emocional.

Mas como podemos manter a sensibilidade das amígdalas sob controle? A seguir, destacamos três estratégias que qualquer um pode tentar na próxima vez que estiver prestes a perder o controle das suas emoções.

1. ATIVE SEU NEOCÓRTEX

Você pode prevenir ou impedir um “sequestro da amígdala” ativando o neocórtex, a parte lógica do cérebro. Não é fácil redirecionar os pensamentos dessa forma, e levaria mais de uma vida para essa estratégia ser aperfeiçoada. Mas existem algumas maneiras simples de canalizar seu lado mais racional.

Esteja presente – observe, sem julgamento, que você foi provocado ou acionado. Todos temos pistas de linguagem corporal e comportamental que alertam para a realidade de que nos sentimos ameaçados. Redirecione seus pensamentos para evitar cair no piloto automático.

Preste atenção à respiração – respire de modo lento e uniforme. Pense na velocidade e no ritmo da respiração e concentre-se no que está acontecendo em seu corpo enquanto inspira e expira.

Pratique atenção plena ou meditação – existem mil maneiras de desenvolver uma prática de meditação e viver com mais atenção. Mas basta sair por cinco minutos ou rir com um amigo para ganhar o distanciamento de que precisamos para enfrentar uma situação que nos tira o controle emocional.

• Faça perguntas – o cérebro reptiliano é capaz de responder perguntas. Tentar descobrir o que realmente está acontecendo força outras partes do cérebro (ou seja, o neocórtex) a se envolver, fazendo com que você escape de uma resposta de estresse instintiva.

2. BUSQUE ENTENDER COMO OS OUTROS PENSAM

Use a frase “a história que estou contando a mim mesmo é . . .” para descobrir a realidade tendenciosa que você pode estar criando. Nem sempre conseguimos controlar o ambiente, mas podemos controlar como reagimos. Isso começa com a identificação de paranoias internas que podem estar atrapalhando.

Na ausência de dados, inventamos histórias. Mas essas histórias, muitas vezes, amplificam nossos medos e ansiedades. Quando aprendemos a questionar a veracidade das histórias que inventamos, podemos aumentar a resiliência e nos redefinir mais rapidamente após falhas, contratempos e decepções.

Nem sempre conseguimos controlar o ambiente, mas podemos controlar como reagimos.

Comprometa-se a tentar entender os outros. Aceite que você nunca sabe toda a verdade e que as perspectivas das outras pessoas podem ser muito diferentes.

Assim, seu objetivo passa a ser explorar o raciocínio e entender melhor por que alguém pensa aquilo que pensa. Quando nos entendemos melhor, estamos mais bem equipados para negociar nossas diferenças e encontrar soluções.

3. PRATIQUE A COMUNICAÇÃO CONSCIENTE

Quando satisfazemos nosso lado racional e procuramos primeiro entender logicamente uma situação, conseguimos nos comunicar de maneira mais honesta e respeitosa. Por meio da comunicação consciente, é possível ter conversas difíceis e melhorar nossos relacionamentos.

Formas de comunicação consciente:

Ouça com empatia – significa ouvir com o coração e a mente, estando totalmente aberto à experiência do outro. O objetivo é compreender e ter empatia com as necessidades do outro.

Assuma suas vulnerabilidades – esteja preparado para perceber (e rever) suas suposições implícitas e os valores nos quais seu pensamento se baseia.

Não doure a pílula – compartilhe com cuidado e preocupação o que você sabe ser verdade.

4.EXPERIMENTE O MÉTODO “THINK”

Use o método THINK (do inglês true, helpful, inspiring, necessary, kind) para ajudá-lo a decidir se deve dizer algo, o que deve dizer e como isso deve ser dito. Faça-se as seguintes perguntas:

• Isso é verdade (true)? O que está dizendo é factual ou é especulação? Suas palavras contribuirão para a disseminação de pânico, confusão ou desinformação?

• Isso é útil (helpful)? Suas palavras ajudarão outra pessoa a tomar uma decisão melhor? Você está oferecendo um bom conselho ou uma possível solução?

• Isso é inspirador (inspiring)? Suas palavras encorajam ou puxam os outros para baixo? Você está tentando empoderar alguém ou criticá-lo?

• Isso é necessário (necessary)? Suas palavras realmente precisam ser ditas? E ditas dessa maneira? O que aconteceria se você não dissesse nada?

• Isso é gentil (kind)? Você gostaria ouvir essas palavras sobre si mesmo ou seu trabalho? Diria isso da mesma forma se a pessoa estivesse sentada na sua frente? Que impacto suas palavras terão em outra pessoa?

A comunicação consciente pode transformar nossas relações pessoais e profissionais, principalmente em conjunto com a ativação consciente do neocórtex e com a prática saudável de meditação. Experimente essas estratégias da próxima vez que sentir que está prestes a perder o controle – e ensine sua amígdala quem está no comando.


SOBRE A AUTORA

Jasmine Quinn é lider de talentos e desenvolvimento organizacional da Atlassian. saiba mais