Há 19 anos, a Feira Preta, evento de cultura e empreendedorismo negro na América Latina, conecta afroempreendedores que trazem propósito e representatividade em itens de decoração, moda, cosméticos, acessórios, papelaria, gastronomia entre outros. O evento chega a movimentar até R$ 1 milhão por edição. Em 2020, devido à pandemia de Covid-19, enfrentamos o grande desafio de levá-lo para o digital, em uma versão 100% online, com mais de 20 dias de programação, nos meses de novembro e dezembro, alcançando mais de 1 milhão e 700 visualizações de uma programação diversa de mais de 100 conteúdos produzidos, com sete produtoras pretas na área do audiovisual e mais de 1000 produtos disponíveis para a venda de 150 empreendedores em parceria com o Mercado Livre.

“Vender no digital é muito diferente do presencial. E esse foi um dos principais desafios que os afroempreendedores destacaram”

Nossa primeira edição online mostrou como estar no mundo digital, principalmente nesse momento tão difícil impulsionando os empreendedores e contribuindo para a geração de renda. Entretanto, vender no digital é muito diferente do presencial. E esse foi um dos principais desafios que os afroempreendedores destacaram: é importante conhecer estratégias de marketing digital e comunicação, relacionamento com cliente, conhecimento em aplicativos e plataformas digitais. Mas tudo isso tem custos financeiros altos. Por exemplo, imagine um empreendedor que teve que fechar as portas, devido à pandemia, demitir funcionários e não conseguiu vender mais os seus produtos, que eram a sua única fonte de renda. Como ele ou ela terá dinheiro para realizar cursos ou pagar por uma plataforma de vendas online?

É importante lembrar também que a inclusão digital ainda é um desafio no Brasil. Nem todas as pessoas possuem acesso à internet, computadores ou celulares. Como mostram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em abril, 39,8 milhões de brasileiros não possuíam acesso à internet, no final de 2019. E os que tinham, usavam a internet pelo celular para envio de mensagens.

“É importante lembrar também que a inclusão digital ainda é um desafio no Brasil. Nem todas as pessoas possuem acesso à internet, computadores ou celulares”

Diante disso, no ano passado, a PretaHub desenvolveu ações para a digitalização de negócios de afroempreendedores, com o objetivo de que eles passassem pela transformação digital, com suporte e apoio, e continuassem gerando renda durante a pandemia. E, no dia 13 maio de 2021, em parceria com o banco Santander, lançamos o feira.preta.com.br, um marktplace para produtos e serviços desenvolvidos por negros, indígenas, LGBTQIA+ e quilombolas, entre outros empreendedores de causas ativistas que tiveram seus negócios acelerados pela PretaHub. Com mais de 1200 produtos cadastrados e participação de mais de 140 empreendedores de todo o país, o nosso foco é criar uma rede de oferta e demanda que gere valor para diversas famílias.

Ao lançar o e-commerce na data que marca os 133 anos da abolição da escravidão no Brasil, pretendemos ressignificar esse dia, causando reflexões para que as pessoas lutem contra o racismo e a LGBTQIA+ fobia apoiando, divulgando e comprando os produtos e serviços desses profissionais.

Este texto é de responsabilidade de seu autor e não reflete, necessariamente, a opinião da Fast Company Brasil

SOBRE A AUTORA

Adriana Barbosa é fundadora da Feira Preta e CEO da PretaHub