Onda de imagens estilo Studio Ghibli reacende o debate sobre IA e arte
A mais nova mania da internet revela tanto a magia quanto a obscuridade da arte criada por máquinas

Nos últimos dias, a internet teve uma rara oportunidade de transformar selfies e fotos de família em deslumbrantes "retratos" no estilo do Studio Ghibli. Mas o que começou como uma tendência divertida logo tomou um rumo mais sombrio.
Pouco depois do lançamento do recurso "Images for ChatGPT", uma enxurrada de imagens geradas no estilo característico do famoso estúdio de animação japonês inundou as redes sociais.
Usuários do X/ Twitter postaram versões "ghiblificadas" de suas fotos pessoais, memes populares e figuras públicas, como o presidente Donald Trump.
Sam Altman, CEO da OpenAI, mudou sua foto de perfil no X para uma imagem sua no estilo Ghibli e postou: "passo uma década tentando ajudar a criar superinteligência para curar o câncer ou sei lá o quê... acordo um dia com centenas de mensagens: ‘olha, te transformei num twink no estilo Ghibli haha’.”
Mais tarde, Altman brincou no X que os servidores da OpenAI estavam "derretendo" com a demanda.
Até a conta oficial da Casa Branca no X entrou na onda, compartilhando sua falta de bom senso ao publicar a imagem de uma mulher da República Dominicana chorando – recentemente presa por agentes de imigração dos EUA – estilizada como uma cena de um filme do Studio Ghibli.
Enquanto a internet se divertia, questões éticas e de direitos autorais começaram a surgir. Críticos levantaram preocupações sobre se a OpenAI estava explorando injustamente o trabalho de artistas, incluindo Hayao Miyazaki, cofundador do Studio Ghibli.

Animações como “Meu Amigo Totoro” ou “A Viagem de Chihiro” não são feitos da noite para o dia; exigem animação desenhada à mão com atenção meticulosa aos detalhes, um processo que pode levar anos para ser concluído.
Segundo a Associated Press, a empresa afirmou que a nova ferramenta adotaria uma "abordagem conservadora" ao imitar a estética de artistas individuais.
"Adicionamos uma recusa que é acionada quando um usuário tenta gerar uma imagem no estilo de um artista vivo", disse a OpenAI em um artigo técnico publicado na semana passada.

A empresa acrescentou que "permite estilos de estúdios mais amplos – que as pessoas têm usado para criar e compartilhar algumas criações originais verdadeiramente encantadoras e inspiradas".
A polêmica do "Ghibli-gate" é apenas a mais recente em uma série de processos movidos por organizações de notícias, escritores e músicos que alegam que suas obras foram usadas para treinar modelos de IA sem permissão.
Quanto a Miyazaki, fundador do Studio Ghibli, seus sentimentos sobre arte gerada por IA são bem conhecidos. Em um trecho de um documentário de 2016 que voltou a circular, ele chamou a IA de "um insulto à própria vida". Talvez algo a se considerar antes de transformar uma foto do seu gato em uma imagem no estilo Ghibli para compartilhar na internet.