O Tik Tok pretende lançar um serviço de empregos destinado à geração Z. Enquanto o programa ainda está em fase de desenvolvimento, os usuários podem gravar seus currículos em vídeo e se inscrever em vagas postadas por empresas. Visto que grande parte da base de usuários do app pertence à geração Z, o futuro da contratação será o recrutamento nas redes sociais?

“Como ferramenta de recrutamento, faz sentido estar onde os candidatos estão”, diz Eric Sydell, vice-presidente executivo de inovação da plataforma de seleção de talentos Modern Hire. “Mas relatos dizem que o TikTok também permitirá a postagem de currículos em vídeo. Se for esse o caso, iremos do recrutamento à seleção, e isso desperta questionamentos.”

PROBLEMAS EM POTENCIAL

Ocupar uma vaga de emprego por meio de uma contratação virtual demanda práticas com embasamento científico, e não apenas personalidade. “As ferramentas devem ser eficientes e eficazes, oferecendo experiência e equidade. Usar um currículo em vídeo pode criar uma boa experiência se você é o tipo de pessoa que gosta de gravar vídeos. Caso contrário, pode não ser uma experiência positiva”, afirma Sydell.

O  especialista em seleção de talentos também reflete sobre a eficácia desse método de recrutamento. “As redes sociais são cada vez mais acionadas no momento de fazer decisões de contratação, mas não há muitas evidências científicas de que sejam úteis”, avalia Sydell. “No caso de currículos em vídeo, os candidatos com a aparência mais atraente, carismáticos e engraçados provavelmente terão maior sucesso. Mas essas características nem sempre estão mais associadas ao desempenho no trabalho. E quanto à solução de problemas, criatividade ou desempenho em equipe? Essas são habilidades úteis em uma variedade de empregos, mas são mais difíceis de avaliar por vídeo.”

A maior preocupação de Sydell, no entanto, é a equidade. “Somos atraídos por pessoas que são semelhantes a nós. Os recrutadores precisam ter cuidado com apps de vídeo para garantir que não estejam contratando pessoas que se pareçam com eles. Se estivermos conscientes do preconceito, podemos evitá-lo, e isso tem potencial para impactar a diversidade”, diz ele.

O PROGRAMA TERÁ ADESÃO?

O Tallo, site de vagas de empregos e relacionamento para estudantes, realizou uma pesquisa com mais de 1.200 pessoas da geração Z, e descobriu que apenas 8% dos participantes preferem que os empregadores entrem em contato por meio das redes sociais. Para obter mais informações sobre os empregadores, apenas 5% dos ouvidos procuram as mídias sociais.

Em relação à procura de emprego, esse grupo adota uma abordagem mais cautelosa do que a geração Y, relata o CEO da Tallo, Casey Welch. “A geração Z quer ficar com os empregadores por mais tempo — de três a quatro anos — enquanto a geração do milênio fica por dois anos”, ele diz. “A Geração Z também valoriza o trabalho que está fazendo e deseja se comprometer com as oportunidades.”

Nativas digitais, as pessoas nascidas entre os anos de 1990 até o início de 2010 entendem a relevância de ter uma presença online. Enquanto 51% da Geração Z acredita ser importante conquistar para si uma marca profissional online, a pesquisa do Tallo sugere que apenas 10% usariam o TikTok para essa finalidade.

“As pessoas acessam as redes sociais para um determinado propósito”, afirma Welch. “Quando você joga outro elemento na vida social de alguém, como recrutadores, pode não ser o que eles querem fazer ali. Só porque os empregadores estão presentes, não significa que os usuários vão encontrá-los. Pode parecer uma invasão.”

O QUE OS CANDIDATOS PRECISAM SABER

Os usuários do TikTok precisam tomar algumas precauções antes de usar a plataforma para fins profissionais. “Se alguém postar um currículo em vídeo, a empresa pode clicar em seu perfil no TikTok e assistir aos outros conteúdos”, alerta Syrell.

“O TikTok não foi projetado para transmitir quem você é profissionalmente, como o LinkedIn. Isso pode levar a uma distração do processo de contratação se as empresas começarem a se concentrar nos aspectos sociais. Não existe um corpo de pesquisa acadêmica provando que essas plataformas são válidas ou úteis no processo de contratação. A mídia social está na extremidade inferior do espectro de qualidade da informação.”

Se um anúncio de emprego parece promissor, Sydell sugere a criação de um perfil profissional separado. “Uma boa entrevista será relativamente séria”, diz ele. “É normal deixar a personalidade transparecer, mas há um nível de foco profissional que é essencial manter.”

O sucesso do TikTok como ferramenta de emprego ainda é indeterminado. “As empresas estão sempre interessadas em encontrar candidatos onde é mais provável que eles estejam, e o recurso TikTok pode provar ser bom”, Sydell alega. “No entanto, os recrutadores precisam ter cuidado para que a plataforma não afete negativamente suas metas de contratação. É melhor usar ferramentas e métodos que podem prever com precisão e justiça como um candidato pode se sair no local de trabalho.”

SOBRE A AUTORA

Stephanie Vozza escreve sobre produtividade e carreiras para a Fast Company.