POR STEPHANIE VOZZA

Ultimamente, muitas das pessoas que estão pensando em pedir demissão estão dispostas a abraçar uma mudança bem maior do que apenas de local de trabalho. A pesquisa da Catalyst-CNBC descobriu que 50% dos funcionários pretendem fazer mudanças de carreira devido à pandemia. E um terço dos entrevistados está procurando emprego em outro setor, enquanto 22% planejam sair do emprego atual para começar seu próprio negócio.

O desejo de mudança remonta ao significado da vida e à realização pessoal, diz Jenn Lim, autora de Beyond Happiness: How Authentic Leaders Prioritize Purpose and People for Growth and Impact (Além da felicidade: como líderes autênticos priorizam objetivos e pessoas para o crescimento e o impacto, em tradução livre).

“Todos nós tivemos muito tempo para refletir sobre essas coisas – como queremos gastar os minutos do nosso dia”, pondera ela. “Nós nos perguntamos: ‘é assim que quero passar minha vida? ’ Essas questões se tornaram mais urgentes. Do ponto de vista científico, a forma mais sustentável de alcançar a felicidade é ter um propósito maior. Fazer algo que é maior do que nós.”

ANTES DE ABRAÇAR A MUDANÇA

Embora dar um grande salto possa parecer emocionante, é inteligente planejar como fazer essa mudança — e o que fazer se ela não der certo.

“Quando você está cogitando fazer uma mudança de carreira, há muitos medos diferentes pelos quais passamos, como o medo de falhar, o medo do constrangimento, o medo da rejeição,” diz Kim Perell, autora de Jump: Dare to Do What Scares You in Business and Life (Dê o seu salto: ouse fazer o que te assusta nos negócios e na vida). “A pandemia, no entanto, acelerou nosso desejo de mudar. Muitas pessoas querem pular para o próximo capítulo de suas vidas e carreiras, mas ainda não sabem como.”

Em vez de mudar só pela mudança, Perell diz que você precisa saber o porquê subjacente dessa vontade. “É sobre o dinheiro? É sobre estar no controle do seu futuro? É sobre reservar mais tempo para sua família?” ela pergunta. “É importante dedicar tempo para pensar sobre o motivo real e não apenas se empolgar com uma mudança de nível superficial que você deseja fazer. Se você puder cavar fundo e estabelecer uma boa base, será mais fácil dar o salto.”

Lim concorda. “Antes de fazer uma mudança, você precisa primeiro trabalhar essa ideia em si mesmo”, ela disse. “Às vezes, os motivos para fazer uma mudança parecem óbvios, como ‘Estou sendo tratado como um lixo’ ou ‘Não estou sendo pago o suficiente’. Todas essas são razões importantes, mas são fatores extrínsecos, e não intrínsecos ao que é mais importante para nós.”

Reserve um tempo para entender seus valores. “As pessoas costumam dizer: ‘A família é a minha prioridade’”, diz Lim. “Mas quando eles começam a analisar como gastam seu tempo, isso não combina. É aí que entra o trabalho. O que é realmente mais importante para você? Elabore uma declaração de seus propósitos. Quando você faz escolhas conscientes, não precisa olhar para trás com arrependimento, porque pode dizer: ‘isso foi baseado em quem eu sou’.”

CRIE ALGUNS PLANOS

Depois de saber por que deseja realizar uma mudança, vá em frente, começando já com o fim em mente. “Um bom planejamento começa com o olhar no futuro e, em seguida, ele é construído ao contrário”, diz Perell. “Em seguida, esboce onde você deseja estar dali a um ano. Um ano é uma boa quantidade de tempo para conduzir uma mudança significativa. Escreva uma autodeclaração em que você assume sua missão pessoal, descrevendo onde você deseja estar em um ano e, em seguida, identifique os pequenos marcos para criar pontos de verificação ao longo do caminho. É uma maratona, não uma corrida.”

É assustador fazer uma grande mudança, mas você pode dividi-la em pequenos passos, aconselha Perell. “Qual é o primeiro obstáculo que você precisa superar?” ela pergunta. “Trata-se realmente de criar esses marcos iniciais e as primeiras etapas que você precisa realizar para atingir seu objetivo.”

Embora seja importante se jogar de corpo e alma e se comprometer de verdade, Lim recomenda ter mais de um plano. Por exemplo, o Plano A seria uma situação ideal em que tudo o que você pode controlar foi pensado e está de acordo com seus valores.

“Plano B é quando você reconhece que, na maioria das vezes, as condições realmente ideais não se apresentarão, e que circunstâncias  acontecerão fora do seu controle”, diz ela. “Faça os Planos B, C e D, especialmente agora, quando ainda há muita volatilidade e incerteza no mundo. Esses planos ajudam a manter nossos níveis de felicidade, porque com eles não ficaremos destruídos caso o Plano A não dê certo. É uma gestão de expectativas, esperando o melhor, mas também sabendo toda a gama do que pode dar errado ou o que pode dar de outra forma.”

Às vezes, você pode descobrir que o Plano A não é o que você pensou que seria. “A grama é mais verde do outro lado da natureza humana”, diz Lim. “Tornou-se muito mais importante ser capaz de se estabelecer com quem você é e com o que deseja. As coisas significativas são as coisas intrínsecas.”

Perell chama o Plano B de “plano de sucesso”. “Faça a si mesmo algumas das perguntas sobre os piores cenários”, sugere ela. “O objetivo é garantir que você pouse com sucesso, onde quer que você queira estar.

Pode parecer mais seguro ficar onde está do que entrar em um novo emprego ou assumir um novo plano de carreira, mas na zona de conforto não há crescimento. 

SOBRE A AUTORA

Stephanie Vozza escreve sobre produtividade e carreiras na Fast Company.