POR STEPHEN MCKEON

Stablecoins são um tipo de criptomoeda ligada a ativos cujo valor não varia muito, como o dólar americano.

maioria das dúzias de stablecoins que existem hoje usa o dólar como benchmark, mas muitas também estão atreladas a outras moedas emitidas por governos, como o euro ou o yen. O resultado disso é que o preço das stablecoins varia muito pouco, diferentemente das criptomoedas mais famosas, como bitcoin e ethereum que estão sujeitas a altos e baixos.

primeira stablecoin, criada em 2014, foi a Tether, usada como modelo por muitas outras stablecoins. Os usuários recebem um token para cada dólar depositado. Em teoria, estes tokens podem ser convertidos de volta à moeda original a qualquer momento, a uma taxa de um para um.

Até 28 de julho de 2021, havia US$62 bilhões em Tether no mercado, pouco mais da metade dos US$117 bilhões de valor de mercado das stablecoins ao redor do mundo. A segunda maior chama-se USD Coin, e possui capitalização de cerca de US$27 bilhões.

POR QUE AS STABLECOINS SÃO IMPORTANTES

Originalmente, as stablecoins eram usadas principalmente para comprar outras criptomoedas, como bitcoin, já que muitas das bolsas de moedas digitais não tinham acesso ao sistema bancário tradicional. Diferentes das moedas nacionais, as stablecoins podem ser acessadas 24 horas por dia, sete dias por semana, em qualquer lugar do mundo – sem depender de bancos. A transferência leva segundos para ser feita.

Outra característica das stablecoins é que elas trabalham com os chamados contratos inteligentes em blockchains, que, diferentemente dos contratos tradicionais, não necessitam de autoridade legal para serem executados. O código do software automaticamente dita os termos de contrato e quanto dinheiro será transferido. Isso torna as stablecoins programáveis de forma que o dólar não pode ser. 

Contratos inteligentes deram lugar às stablecoins não só em transações diretas, mas também em empréstimos, pagamentos, seguros, mercados preditivos e organizações autônomas descentralizadas—empresas que operam sem intervenção humana.

Coletivamente, estes serviços financeiros baseados em softwares são conhecidos como finanças descentralizadas, ou DeFi. 

Os apoiadores dizem que transferir dinheiro através de stablecoins é mais rápido, barato e fácil de integrar-se aos softwares se comparado com a moeda fiduciária. 

Outros dizem que a falta de regulamentação produz grandes riscos para os sistemas financeiros. Em um artigo recente, os economistas Gary B. Gorton e Jeffery Zhang fizeram uma analogia com a metade do século XIX, quando os bancos emitiam suas próprias moedas privadas. Eles dizem que as stablecoins podem gerar os mesmos problemas observados naquela época, quando eram comuns as corridas aos bancos, já que as pessoas não necessariamente concordavam com o valor das moedas emitidas. 

Preocupados que as stablecoins possam representar um risco ao sistema financeiro, os reguladores também têm mostrado interesse nelas recentemente.

SOBRE O AUTOR

Stephen McKeon é professor associado de finanças na Universidade do Oregon. Este artigo foi republicado do The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.