POR FÁBIO CARDO

As operações de plantio, colheita e manejo de produtos agrícolas, principalmente em grandes extensões de terra, dependem de muita tecnologia para garantir boa produtividade. A John Deere, empresa de origem norte-americana e líder mundial no setor, mantém uma vasta linha de produtos que agregam inovação e tecnologia, permitindo melhor produtividade com sustentabilidade.

Os produtos agrícolas embarcam tecnologia de precisão há muitos anos, permitindo a atuação inteligente no campo. Equipamentos conectados, com diversos sensores e câmeras, transmitem aos operadores em tempo real informações sobre as operações em andamento para que possam efetuar os ajustes necessários para melhorar a qualidade do trabalho. Ao mesmo tempo, os dados vão para centrais de processamento que trabalham nas informações para poder subsidiar os operadores dos equipamentos e gestores rurais com as melhores práticas na aplicação de sementes, insumos e na colheita.

Trator autônomo John Deere (Crédito: John Deere)

Como exemplo prático, a empresa anunciou nesta semana na CES 2022 – Consumer Electronics Show, o lançamento de seu primeiro trator autônomo, com a promessa de revolucionar a agricultura. O equipamento possui seis pares de câmeras estéreo, que permitem a detecção de obstáculos em 360º e o cálculo da distância. As imagens capturadas pelas câmeras passam por uma rede neural profunda que classifica cada pixel em aproximadamente 100 milissegundos e determina se a máquina continua se movendo ou para, dependendo se um obstáculo é detectado. O trator autônomo também verifica continuamente sua posição em relação a uma geocerca, garantindo que esteja operando onde deveria e com menos de uma polegada de precisão.

Felipe Santos, John Deere

Felipe Santos, Gerente de Marketing da John Deere (Crédito: John Deere)

Conversei com Felipe Santos, gerente de marketing da John Deere no Brasil, para entender como os equipamentos conectados da empresa estão ajudando a melhorar a produtividade na produção de alimentos no país.

A empresa é reconhecida internacionalmente pelos investimentos em inovação e tecnologia dos equipamentos, principalmente os que atendem o agronegócio. Quais são os principais equipamentos conectados e quais culturas atendem?

A John Deere segue atenta aos movimentos da produção de alimentos no Brasil e no mundo.  Sem dúvidas a novidade que mais impressionou o mercado agrícola recentemente foi a colhedora de cana CH950. Ela é a única que permite a colheita de duas linhas simultâneas e de forma independente, e é considerada uma revolução no setor, pois além do ganho de eficiência, também reduz a compactação do solo em até 60%, ponto crítico na mecanização no segmento canavieiro. Entre outros diferenciais estão a redução de 20% no tempo de reparo, a diminuição de 30% no consumo de combustível e de 28% no uso de tratores de transbordo. Os resultados não negam. A CH950 conseguiu reduzir ainda 50% na perda de produto por perdas não mensuradas pelas equipes de qualidade, e aumentar em pelo menos 10% a longevidade do canavial. 

Outro exemplo é a série de pulverizadores M4000 que tem como diferencial o ExactApply, uma tecnologia inteligente das pontas de pulverização que permite maior precisão na aplicação dos insumos, além de melhor qualidade de cobertura, tudo de forma automatizada, ou seja, a própria máquina faz a leitura e aplica a quantidade de produto correta, no local necessário.  

Já a colheitadeira de grãos S700, primeira do mercado nacional totalmente automatizada, possui duas câmeras digitais que permitem que o sistema realize a leitura da passagem de grãos que estão sendo colhidos, o que ajuda a identificar impurezas e grãos quebrados, promovendo automaticamente os ajustes necessários a cada três minutos. O resultado é um grão 17% superior em qualidade, somado a 13% de redução de perdas. Em um sistema convencional, um operador com experiência vai fazer essa configuração geralmente uma vez no dia somente, e alguns uma vez na safra. 

Além dessas tecnologias mencionadas, todas essas máquinas possuem sistema de telemetria JDLink™, que transmite toda a informação documentada pelas máquinas e os envia ao John Deere Operations Center, e assim permite ao gestor da operação e os prestadores de serviço dele a monitorar e analisar as informações próximas ao tempo real, quando há acesso à internet, para tomada de decisões baseadas em dados, aumentando também a segurança e sustentabilidade da operação. O Operations Center passa então a ser a plataforma de dados das operações do produtor, sendo ele o dono da sua organização e gerenciando quem tem acesso aos seus dados. 

Quando autorizado pelo produtor, os concessionários que são parceiros de negócios dele, também poderão auxiliar nas tomadas de decisões bem como no monitoramento através dos Centros de Soluções Conectadas de cada concessionária. 

Em relação a cobertura de conectividade no campo, o produtor brasileiro consegue estabilidade para captar dados e transmitir? É uma limitação para a expansão da empresa no Brasil? Quais são as perspectivas de melhorias? 

Nós sempre buscamos melhorar a experiência e produtividade no campo. Hoje com os modens que quase todas as máquinas já possuem é possível coletar a informação e armazená-la, para que quando a máquina alcance uma área com acesso à internet, ela possa enviar para a nuvem, no caso o John Deere Operations Center.  

Novas tecnologias, como internet via satélite e o 5G vão dar continuidade à expansão de acesso à internet e, enquanto isso, nós não ficamos parados. Em 2018, fomos pioneiros em fomentar e colaborar com o setor das Telecom, anunciando uma solução conjunta com a empresa Trópico, que já possui mais de 100 torres com essa tecnologia implantada. Também desde 2020,  temos o Campo Conectado – parceria com a Claro que promove a democratização da conectividade em áreas rurais e nos auxilia a levar ao produtor a conexão em tempo real. Para se ter uma ideia, o programa já conectou 150 mil hectares e possui uma área de 7 milhões de hectares prospectados desde fevereiro deste ano. 

Acreditamos que o produtor deve investir em soluções inovadoras para que consiga obter a máxima produtividade de sua lavoura, com redução de custos e com sustentabilidade. Por isso trabalhamos para desbloquear o potencial tecnológico do campo, por meio da conectividade rural, que é ponto decisivo para o desenvolvimento socioeconômico do País. 

Entendemos ainda que com a cobertura no campo, as operações ficam mais inteligentes, aumentando a eficiência, melhorando a competitividade, e a sustentabilidade da produção em todo o Brasil, além de abrir portas para outros usos, como telemedicina e educação a distância.  

Como é o acesso dos produtores aos equipamentos? Quais perfis conseguem atingir e atender (porte de produtor)? Todos têm facilidades para adquirir os equipamentos conectados? 

A John Deere está preparada para atender todos os tipos de produtores, das pequenas operações até as gigantes, que exportam para o mundo todo. 

Aqui no Brasil, a demanda por crédito está aquecida, o produtor está mais capitalizado e entende o retorno do investimento em tecnologia. A falta do crédito subsidiado, hoje gera um impacto, principalmente, nos clientes pequenos. Os grandes e médios conseguem obter os recursos com taxas um pouco maiores, mas não deixam de obtê-las.  Precisamos entender o contexto macroeconômico do País em um dos momentos mais desafiadores que enfrentamos no último século.  

O produtor sabe que o benefício gerado pela tecnologia é muito maior do que o valor inicial de investimento.  A tecnologia se tornou uma grande aliada dos agricultores, e a conectividade se faz fundamental para que o produtor possa usufruir de toda a inovação disponível para obter a máxima produtividade da lavoura, tornando possível o gerenciamento do que está acontecendo próximo ao tempo real na fazenda. E, sem dúvidas, isso contribui para uma operação mais eficiente e sustentável.

(Crédito: John Deere)

Quem não adotar equipamentos conectados será um excluído digital, perderá competitividade? Como a empresa vê isso? 

A John Deere acredita que existe espaço para todos na agricultura. Caso o produtor opte por não comprar equipamentos mais modernos, ou renovar seu parque de máquinas, pode deixar de aproveitar as oportunidades oferecidas pela agricultura de decisão: a agricultura de precisão somada ao conhecimento e tecnologia torna-se “agricultura de decisão”, na qual é possível transformar dados em valor e inteligência para a tomada de decisão assertiva de forma mais rápida e eficaz. 

Também, muitas das soluções são desenvolvidas pensadas em como podemos fazer soluções de pós-vendas, para as máquinas que já estão em campo, dando o apoio durante todo o ciclo de vida desse equipamento. 

Acreditamos que como em qualquer outro negócio, os investimentos em tecnologias e atualização, são fundamentais para garantir maior rentabilidade e longevidade do negócio.  

Vocês têm algum estudo sobre as vantagens em sustentabilidade usando os equipamentos John Deere? 

Pensando na contribuição ambiental, desde 2017, a John Deere já reduziu em 19% a emissão de gás do efeito estufa. Em 2020, 32% da energia utilizada pela companhia, ao redor do mundo, foi oriunda de fontes renováveis. Para 2022, a meta é chegar em 50%. Essas informações fazem parte do Relatório de Sustentabilidade da John Deere divulgado no último ano. O trabalho da empresa para o desenvolvimento sustentável, tanto interno como externo, é incessante.  

A John Deere também investe no desenvolvimento de seus produtos e soluções para que toda a sociedade seja beneficiada tanto no aspecto social (melhor capacitação do operador), ambiental (reduzindo impactos ao meio ambiente) e econômico (economia das operações e melhor eficiência dos recursos). 

Como mencionado anteriormente, a nova colhedora de cana CH950, pelo fato de colher duas linhas de cana simultaneamente e independentemente, traz uma redução significativa no consumo de combustível, ao redor de 30%. Ela também ajuda a melhorar as condições do solo, dado a redução da área compactada, o que garante melhor infiltração de água, melhor desenvolvimento das raízes e, consequentemente, aumentando a produtividade do canavial, o que no final da safra, significa, produzir mais em uma mesma quantidade de terra.   

Além disso, a partir do desenvolvimento de novas tecnologias, a companhia entende que o setor segue para uma maior produção agrícola, de forma responsável, e com pouco aumento de área cultivada, sendo possível afirmar que além de produzir e preservar, o Brasil também está prosperando. A empresa acredita e incentiva todas as tecnologias em prol do produtor. 

Cabe lembrar que a John Deere atuou com a Embrapa no fomento do Sistema Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e agiu ativamente na fundação da Rede ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), uma parceria público-privada. 

A empresa também esteve diretamente envolvida no desenvolvimento de uma fazenda-modelo: a Santa Brígida. A propriedade é hoje uma das Unidades de Referência Tecnológica (URT) em ILPF e produz gado de corte, soja e milho, além de manter árvores de eucalipto. 

Mas o mais importante é a atuação integrada do sistema de produção que impacta o Social (na capacitação de pessoas e a manutenção de seus empregos durante todo o ano), o Econômico (maior produtividade e rentabilidade para o produtor) e o Ambiental (com uma maior conservação ambiental e práticas que garantem um estoque de carbono no solo). 

SOBRE O AUTOR

Fábio Cardo é economista de formação, atua em comunicação empresarial e empreendedorismo e é co-publisher do canal FoodTech da Fast Company Brasil.