5 perguntas para Catherine Price, jornalista e escritora

No livro "The Power of Fun: How to Feel Alive Again" (O poder da diversão: como se sentir vivo de novo, em tradução livre), Catherine Price escreve: "a diversão não é apenas o resultado do desabrochar das pessoas. É uma causa. Ela nos lembra de quem costumávamos ser e de quem queremos ser."
Essa citação me chamou a atenção. Como a diversão pode fazer as pessoas florescerem?
Price dedicou sua carreira a ajudar as pessoas a "rolar menos a tela e viver mais". Sua jornada começou com o livro "How to Break Up With Your Phone" (Celular: como dar um tempo) e continua com sua newsletter no Substack e seu podcast, How to Feel Alive (Como se sentir vivo).
Em nossa conversa, ela ilustra por que a diversão é essencial e conta como podemos experimentar um maior senso de leveza, conexão e fluxo na carreira e na vida.
Fast Company – Você escreve que a capacidade de brincar, jogar, imaginar e criar fortalece os relacionamentos. Como a diversão aprofunda nossas relações e quais são os benefícios disso?
Catherine Price – Você pode entender como a brincadeira e a diversão fortalecem os relacionamentos pensando nos seus próprios laços mais fortes e perguntando a si mesmo: "eles envolvem risadas?". O riso é um sinal dessa capacidade lúdica.
Quando as pessoas acham que se divertir e criar não é importante, muitas vezes isso vem de um mal-entendido sobre o que isso significa. Supõe-se que é preciso jogar um jogo ou agir como uma criança para adotar uma atitude mais "brincante", mas não é nisso que me foco. Trata-se mais de ser leve e autêntico.
Em termos de fomentar a conexão, pense em suas próprias experiências: quais situações fizeram você se sentir mais próximo de alguém? É claro que algumas conversas profundas, tarde da noite, podem vir à sua mente.

Mas provavelmente você também se sentiu mais próximo de colegas após compartilhar uma risada ou uma experiência menos séria, porque isso mostra nossa humanidade.
Sempre que alguém abaixa a guarda e mostra quem realmente é, está sendo vulnerável, o que é interessante quando falamos de diversão. Existe vulnerabilidade nisso.
Quando alguém se permite ser vulnerável, isso faz com que você também se sinta à vontade para ser vulnerável. E sempre que as pessoas compartilham momentos de vulnerabilidade, a conexão se fortalece.
Fast Company – Todos precisam se entregar à experiência para que a diversão aconteça. Como podemos convidar os outros a se envolver? E se tivermos medo de nos entregar totalmente, como podemos superar isso?
Catherine Price – Se você está tentando descobrir como participar mais, tire um pouco da pressão de si mesmo. Você não precisa ser quem conduz a diversão, pode apenas participar. Esse é um começo mais fácil para muita gente. Você pode rir junto ou simplesmente dizer "sim" para as coisas.
Também é bom prestar atenção nos seus próprios instintos, porque muita gente diz "não" automaticamente para tudo. Sempre encontramos razões para não fazer algo, ou então nos criticamos demais. O perfeccionismo tem um grande impacto na capacidades das pessoas de se divertir.
É provável que você tenha se sentido mais próximo de colegas após compartilhar uma risada.
Para aqueles que são "curiosos sobre a diversão", é importante perceber que provavelmente eles já estão se divertindo mais do que imaginam – só não classificaram essas experiências como "divertidas".
Uma das coisas que adoro na definição de diversão como lúdico, conectado e fluido é que temos momentos de ludicidade, conexão ou fluxo várias vezes ao dia. Você provavelmente já acerta o alvo e vive pequenos momentos assim, mais do que percebe – seja em uma interação casual com um colega de trabalho ou brincando com seu cachorro.
Pode ser útil começar a notar esses pequenos momentos e identificá-los como diversão, porque, se não os reconhecemos, não os valorizamos. Ao perceber que esses momentos já existem, podemos ter ideias de como criar mais deles no futuro.
Fast Company – Você sugere planejar uma “dose de reforço” de diversão a cada estação e microdosar a diversão regularmente. Fale sobre essa filosofia.
Catherine Price – A dose de reforço é baseada na ideia de que algumas experiências são tão divertidas que seus efeitos permanecem por muito tempo. Se você tem uma lembrança tão forte que ainda te faz sorrir anos depois, aquilo foi uma dose de reforço de diversão, porque o impacto ainda está presente.
Você pode ter algum controle sobre essas doses de reforço. Se você identificar o que mais te diverte e entender o que mais provavelmente leva você a se divertir, pode criar situações que aumentam a chance de experimentar esse nível mais alto de diversão e prolongar seus efeitos.
Também existem o que chamo de microdoses – pequenas doses de diversão que podem ser planejadas de forma mais fácil, acessível e regular.

Elas não serão as experiências mais incríveis da sua vida, mas ainda podem te dar um impulso de energia que tornará seu cotidiano mais divertido.
Cada um de nós tem, ou pode descobrir, atividades que trazem essa energia. Talvez seja tomar um café ou ligar para um amigo regularmente. Talvez seja almoçar com um colega em vez de comer sozinho na mesa de trabalho.
Se você se diverte de verdade com seus colegas em um evento da empresa ou compartilhando uma refeição, pode ser que não tenha produzido nada diretamente naquele momento. Mas a energia e a conexão criadas vão se refletir no seu trabalho depois.
Fast Company – Você diz que a diversão pode nos fazer prosperar ao influenciar nosso processo de tomada de decisão e nos ajudar a avaliar novas oportunidades. Parece um conceito radical no ambiente profissional, já que diversão e trabalho raramente são associados. Como podemos aplicar isso à nossa vida profissional?
Catherine Price – Concordo totalmente, mas por que o trabalho não deveria ser divertido? Passamos tanto tempo trabalhando! Isso nos leva a um ponto maior: é importante tentar, ativamente, tornar a vida mais significativa e alegre.
Ao tomar decisões profissionais, pode ser útil se perguntar: "isso vai me trazer sentimentos de alegria, conexão ou fluxo?". Porque essas são experiências positivas. Quanto mais nos divertimos, quanto mais nos conectamos e quanto mais entramos em estado de fluxo [flow], mais satisfatória será a vida.
Você não precisa ser quem conduz a diversão, pode apenas participar.
Isso adiciona um critério além do dinheiro. Muitas vezes, ao avaliar oportunidades, pensamos apenas "isso vale o meu tempo?", o que, na prática, se traduz como "o que eu vou ganhar com isso?".
É claro que ser remunerado é importante, pois precisamos nos sustentar. Mas há outra dimensão que também merece nossa atenção: será prazeroso? Uma maneira de determinar isso é perguntar se aquela atividade vai te proporcionar alegria, conexão ou fluxo.
Fast Company – No seu podcast, você pede às pessoas para lembrarem do que amavam fazer na infância. Essa é uma ótima pergunta para aprofundar relacionamentos. Nesse sentido, que outras perguntas podemos fazer a nós mesmos e aos outros?
Catherine Price – Algumas perguntas que vêm à mente são "o que te dá energia?", ou "o que te encanta?".
Se você pudesse planejar um dia de folga perfeito para si, o que faria, sem se preocupar com responsabilidades? Não tenha medo de ser egoísta nessa resposta.
Outra pergunta poderosa é: "quais são os momentos em que você mais ri?" O riso é um grande indicativo de diversão, porque, se você está rindo de verdade, está se divertindo.