Check my ads quer acabar com a desinformação

Crédito: Fast Company Brasil

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Uma reflexão sobre ética, desinformação e a relação tantas vezes perversa entre marcas e adtechs, colocando em risco a tão almejada brand safety, foi trazida para o SXSW pela dupla Claire Atkin e Nandini Jammi, da Check My Ads. Fundada há dois anos, a empresa trabalha para promover a transparência nas relações comerciais da publicidade digital e luta para desmonetizar canais e sites que promovem a desinformação, como os de Dan Bongino, Steve Bannon, Tim Pool, Fox News, entre outros.

Nandini é cofundadora do Sleeping Giants e, com sua parceira, dedica-se a destrinchar os meandros de uma indústria que movimenta cerca de US$ 700 bilhões e é dominada por grandes empresas como Google, Oracle, Open Ads, Trade Desk, Smartyads, Double Click, Yahoo, entre tantas outras.

“Adtechs valem-se, muitas vezes, de sistemas obscuros para levar publicidade a sites que promovem a desinformação ou discursos de ódio”, disse Nandini, destacando que os sistemas de brand safety criados pelas adtechs como resposta às cobranças dos próprios clientes tem prejudicado o bom jornalismo. Como?

“Ao bloquear certas palavras, ou valer-se da inteligência artificial para avaliar a segurança de conteúdos nas redes, os sistemas de brand safety vêm, sistematicamente, bloqueando notícias sérias e o bom jornalismo. Não conseguem diferenciar notícias reais de conteúdos que promovem a violência”, disse Claire. 

Segundo ela, é preciso que as marcas e o público em geral ajude a controlar os sistemas, denunciando e procurando furos. “Somos uma geração que ficou presa às configurações padrão do sistema. No entanto, ele estimula o ódio nas redes”, afirmou Nandini.

Algumas perguntas devem sempre ser feitas diante de conteúdos que gerem dúvidas: estes fatos foram checados? Este conteúdo dá espaço para teorias conspiratórias duvidosas? Os títulos promovem o ódio, deixam as pessoas com raiva? Promove a discriminação de certos grupos de pessoas?

“O mercado adtech não é livre. Isso precisa ficar claro, e é por isso que nós existimos e buscamos, continuamente, combater as distorções e promover o jornalismo de alta qualidade”, concluiu Nandini.


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