SXSW 2022: reaprendendo a olhar

Crédito: Fast Company Brasil

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Ir ao SXSW é um exercício de humildade. E talvez seja essa a grande lição deste grande encontro de ideias e oportunidades. Diante de mais de 2 mil palestras/eventos, sobre tantos temas importantes, nos damos conta de que conseguimos absorver, no máximo (e já nos excedendo) quatro ou cinco por dia – um cenário que repete a própria vida, nosso estar no mundo: no caos, rodeados de infinitas possibilidades, precisando escolher, desde a hora em que abrimos os olhos pela manhã, até o momento em que desligamos a luz da cabeceira. Diariamente somos obrigados a fazer escolhas sobre trabalho, família, vestuário, comida, consumo, a que dar atenção, o que ignorar. 

É fundamental reconhecer que não se pode ter tudo. E ter consciência de que  cada pequena decisão nos leva, invariavelmente, para uma determinada direção – porque reflete nossas crenças e nossos valores. E saber que essa direção pode (e deve) mudar, na medida em que não há linearidade possível, e não há verdades absolutas. Todos os dias, nossas escolhas são novas chances de nos sairmos melhor nesta encarnação. 

Para mim, particularmente, o melhor exercício do SXSW 2022 foi praticar o conceito de “repercepção” proposto pela uberfuturista Amy Webb: transformar o olhar, reolhar e perceber de maneira renovada tudo aquilo que está ao redor. Renovar o olhar constantemente nos tira da zona de conforto, nos leva a uma percepção mais apurada, e também mais criativa, mais imaginativa. Nos afasta do lugar comum e de conclusões óbvias – e preguiçosas. Nos leva a novas reações e, consequentemente, novas soluções. Nos coloca em movimento. 

Isso é fundamental para deixarmos de tirar conclusões apressadas, ou a enxergar as coisas como “normais”. Por exemplo: não, não é normal que algoritmos se aproveitem das nossas fraquezas para promover a desinformação e o descontrole das nossas emoções – afetando nosso consumo, como nos enxergamos, como lidamos com nossos pares. Não, não é normal que estejamos vivendo uma emergência climática e tantas empresas ainda façam planos para mudar somente daqui a 10 ou 15 anos (como se houvesse todo esse tempo disponível).

Dito isso, é a partir deste conceito que trago alguns aprendizados do SXSW. Minhas “repercepções”. 


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