Vacina contra Covid-19: a ciência como uma luz na escuridão

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No final de 2020, quando o mundo descobriu que um novo vírus, desconhecido, letal e altamente contagioso, poderia causar uma pandemia mundial de proporções inimagináveis, cientistas do mundo todo começaram uma corrida contra o tempo para achar uma forma de conter a ameaça. Em menos de um ano, surgiram as vacinas que salvaram milhões de vidas.

É essa história que o CEO da Pfizer, Albert Bourla, conta em seu recém-lançado livro “Como Fazer o Impossível: a Corrida Contra o Tempo para Criar a Primeira Vacina”. Aplaudido em mais de uma ocasião durante sua participação no festival, Bourla falou sobre o desafio de desenvolver uma proteção segura e eficaz contra a Covid-19 em meio a dificuldades técnicas, políticas e a uma campanha maciça de desinformação.

“Era um projeto complexo, com vários aspectos envolvidos, como pesquisa, fabricação, distribuição, questões regulatórias. Alguns dos pontos negativos eram tão negativos que dissemos ‘se não conseguirmos resolver, vamos cancelar tudo’ ”, disse Bourla. “Nunca achei que desistiríamos, pensava que no dia seguinte daríamos um jeito de achar a solução. Mas houve momentos realmente desafiadores, quando chegamos a pensar que não íamos conseguir.”

ESCREVI O LIVRO PORQUE O QUE FIZEMOS NESSES DEZ MESES AJUDOU A MUDAR A HISTÓRIA.

Segundo ele, a vacina pode ser criada e testada em tempo recorde graças ao esforço dos pesquisadores, mas também ao apoio das autoridades – a FDA, agência norte-americana que regula alimentos e remédios, aprovou em quatro dias um procedimento que, normalmente, demoraria quatro meses. Milhares de pessoas foram voluntárias para testar as fórmulas desenvolvidas, o que também contribuiu para acelerar o processo.

Dois problemas sérios enfrentados por todos aqueles empenhados no combate à pandemia foram a desinformação e a radicalização. “A eleição (para Presidente, nos Estados Unidos) polarizou dramaticamente a situação e isso foi errado. De repente, usar máscara virou um posicionamento político, o que não faz sentido, mas acabou criando uma tremenda animosidade entre as pessoas”, lamentou.

GUERRA DE INFORMAÇÃO

Fake news sobre a empresa e seu CEO se espalharam pelas redes sociais. Notícias de que Bourla teria sido preso pelo FBI e de que sua esposa teria morrido por ter sido obrigada a vacina o irritaram. “Isso é criminoso. Fazem isso para convencer as pessoas a não se vacinarem, mas as que acreditam é que correm o risco de morrer por não se proteger”, argumentou. “Temos que ser muito transparentes em tudo o que fazemos, mesmo coisas insignificantes, porque eles vão se pegar em qualquer detalhe para nos atacar.”

Em relação à guerra na Ucrânia, o executivo explicou que a Pfizer não aderiu totalmente às sanções porque considera que os pacientes vêm em primeiro lugar e não podem ficar sem medicação por causa do conflito. “Não estamos fazendo negócios como sempre fizemos com a Rússia, mas testes clínicos custam caro. Não vamos começar novos testes lá, mas os que estão em andamento vão continuar. Cada dólar que vier da Rússia, vamos doar para a Ucrânia”, afirmou, sob aplausos.

Emigrante grego, filho de judeus sobreviventes do Holocausto, Bourla diz que escreveu o livro para garantir que os nomes das pessoas que ajudaram a tornar a vacina contra a Covid-19 uma realidade não se percam com o passar do tempo.

“Escrevi o livro porque o que fizemos nesses dez meses ajudou a mudar a história. O mundo estava com medo, na escuridão, e a ciência trouxe esperança, trouxe luz.” Palmas novamente. Como não?


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