Design de interiores ajuda a incrementar a performance dos funcionários

Pesquisa com 16 mil pessoas revela quais recursos de design de escritório as ajudam a trabalhar melhor

Boston Consulting Group (Crédito: Todd Mason/ Gensler)

Nate Berg 3 minutos de leitura

No rescaldo da pandemia, o design dos escritórios passou por uma fase frenética de adaptações. A jornada de trabalho das 8h às 18h foi totalmente alterada e os escritórios, que antes eram necessários, tornaram-se opcionais, ou até mesmo dispensáveis. Os designers de interiores estavam entre os encarregados de descobrir como convencer as pessoas a voltar para o espaço físico de trabalho.

Agora, quando a pandemia já virou praticamente uma lembrança ruim, o papel do design de escritórios mudou mais uma vez. Um novo relatório da empresa global de arquitetura e design Gensler analisa como os escritórios são usados e percebidos em todo o mundo. 

O  2024 Global Workplace Study conclui que os trabalhadores estão menos preocupados se devem ou não ir ao escritório e mais interessados em como esses locais podem ajudá-los a trabalhar melhor. O relatório foi baseado em pesquisas feitas com 16 mil trabalhadores em 15 países e 10 setores. 

O Instituto de Pesquisa da Gensler vem estudando e acompanhando as tendências dos ambientes profissionais desde 2005, mas os últimos anos não têm precedentes no que diz respeito à mudança das expectativas em relação ao espaço de trabalho. 

De acordo com a diretora global de pesquisa de locais de trabalho da Gensler, Janet Pogue McLaurin, o foco passou a ser a criação de ambientes que funcionem melhor para os profissionais e que, ao mesmo tempo, os ajudem a atingir seu nível máximo de desempenho.

Boston Consulting Group (Crédito: Todd Mason/ Gensler)

"O aspecto pessoal nunca foi tão importante. Houve uma mudança real, passando de métricas imobiliárias para métricas humanas", observa McLaurin. "É tudo uma questão de atrair e reter os melhores talentos."

A Gensler desenvolveu métricas específicas para medir como os escritórios estão funcionando para as pessoas. Uma delas se concentra na eficácia do local e em como o espaço apoia fisicamente o trabalho. 

Outra mede a experiência humana do local de trabalho e como ele evoca um senso de beleza e inspiração. Os escritórios que se classificam bem em ambas as medições são o que a Gensler chama de ambientes de "alto desempenho".

The Mart (Crédito: Jason O’Rear/ Gensler)

"É como se fossem duas metades. Uma é a funcionalidade e a outra é como nos sentimos", explica McLaurin. "Pense nisso quase como a cabeça e o coração. Você tem que aproveitar os dois e ambos têm que trabalhar em conjunto para que as pessoas tenham um bom desempenho."

Os ambientes de alto desempenho têm fatores em comum, como, por exemplo, espaços para conversas informais, para videoconferências, para concentração focada e para relaxar ou recarregar as baterias. 

Esses tipos de espaços existem de duas a quatro vezes mais frequentemente nos ambientes de alto desempenho em comparação com os de baixo desempenho, segundo as métricas da Gensler.

"Se começarmos a criar esses ambientes, isso ajudará os empregadores a atrair e reter os melhores talentos", diz McLaurin. "Em última análise, trata-se de ajudar as pessoas a ter o melhor desempenho possível."

The Mart (Crédito: Jason O’Rear/ Gensler)

Os entrevistados da pesquisa que trabalham em locais considerados de alto desempenho relatam que seu ambiente de trabalho melhora o funcionamento das equipes, a forma como se relacionam com seus colegas e sua produtividade geral. 

Essas correlações positivas foram observadas por mais de 95% dos entrevistados de locais de alto desempenho, em comparação com apenas cerca de dois terços dos entrevistados dos de baixo desempenho.

A criação de um ambiente profissional de alto desempenho requer mais do que apenas preencher alguns requisitos. Mas a pesquisa justifica a necessidade de se prestar mais atenção aos tipos de ambientes que os trabalhadores estão buscando.

Um resultado surpreendente da pesquisa é que poucas empresas estão realmente tentando atender a essas necessidades. De acordo com o relatório, menos de um terço dos locais de trabalho foram remodelados nos últimos três anos.


SOBRE O AUTOR

Nate Berg é jornalista e cobre cidades, planejamento urbano e arquitetura. saiba mais