Chefes antiquados, o motivo pelo qual a geração Z troca tanto de emprego
As empresas que não conseguirem evoluir vão perder uma geração inteira de profissionais talentosos

Se sua empresa está perdendo talentos da geração Z, é provável que o problema não seja eles, e sim você.
A expressão “quiet quitting” (demissão silenciosa) se tornou um termo genérico para culpar os jovens da geração Z pela falta de engajamento no trabalho. As gerações mais velhas os estereotipam como desmotivados, pouco dispostos a se esforçar e exigentes demais. Mas a verdade é que a geração Z não é desengajada, eles simplesmente não toleram chefes antiquados.
Minhas pesquisas, incluindo pesquisas de opinião, entrevistas e estudos de caso em diversas indústrias, mostram que o que muitos chamam de “demissão” é, na verdade, uma resposta racional a ambientes de trabalho que carecem de justiça, estrutura e alinhamento com os valores dos funcionários.
Em vez de descartar uma geração inteira, os líderes deveriam se perguntar o que estão fazendo de errado.
CHEFES ANTIQUADOS: UMA LIDERANÇA QUE NÃO ACOMPANHOU AS MUDANÇAS
A geração Z cresceu em meio à incerteza econômica, aos movimentos por justiça social e a uma crescente ênfase na saúde mental. Eles não querem apenas empregos; querem ambientes de trabalho que priorizem segurança psicológica, transparência e justiça.
No entanto, as empresas continuam apegadas a estilos de gestão ultrapassados – hierarquias rígidas, expectativas irreais e trajetórias de carreira indefinidas. Se a liderança é pouco transparente, desorganizada ou injusta, a geração Z não vai simplesmente aceitar calada. Isso não é “demissão silenciosa” – isso é respeito próprio.
POR QUE A LIDERANÇA TRADICIONAL FALHA COM A GERAÇÃO Z
Modelos de liderança que funcionaram para gerações anteriores muitas vezes não são eficazes hoje. Veja a liderança transformacional, por exemplo, que foca na visão e na motivação. Parece ótimo, mas muitas vezes não oferece a segurança psicológica que os jovens desejam.

O "líder servidor", uma abordagem que enfatiza o bem-estar dos funcionários, é um avanço, mas pode falhar se não tiver estrutura e clareza.
A geração Z não quer apenas um líder carismático que os inspire; eles querem justiça, expectativas claras e lideranças que realmente os escutem. Quando esses elementos estão ausentes, o desengajamento é inevitável.
É aí que entra o modelo que desenvolvi, chamado Modelo de Liderança com Empatia Engajada (EELM, na sigla em inglês).
MODELO DE LIDERANÇA COM BONDADE, JUSTIÇA E ESTRUTURA
Baseado em pesquisas, desenvolvi um modelo de liderança para reter e engajar talentos da geração Z, o Modelo de Liderança com Empatia Engajada (EELM), que se baseia em três elementos essenciais:
- Bondade: líderes que demonstram cuidado e empatia constroem confiança e segurança psicológica. Os funcionários se envolvem mais quando se sentem valorizados como indivíduos, não apenas como trabalhadores.
- Justiça: a geração Z espera tratamento equitativo em promoções, salários e oportunidades. Se percebem favoritismo ou falta de transparência, se desligam.
- Estrutura: essa geração exige clareza nas expectativas, feedback consistente e processos decisórios transparentes. Isso elimina a ambiguidade que gera frustração. Lembre-se: estrutura não significa rigidez – significa alinhamento.
DERRUBANDO O MITO DA "MÁ ATITUDE"
Um dos mitos mais persistentes sobre a geração Z é que eles têm uma “má atitude”. Na realidade, eles apenas se comunicam de maneira diferente e esperam clareza.
Os jovens da geração Z querem lideranças que realmente os escutem.
Conflitos no ambiente de trabalho geralmente surgem de expectativas desalinhadas, como um funcionário da geração Z achar que enviar uma mensagem de texto é suficiente para avisar que está doente, enquanto um gestor mais velho espera um telefonema.
E sejamos claros: nenhuma geração é inerentemente mais ou menos trabalhadora. Funcionários – de qualquer idade – se esforçam mais quando confiam na liderança e enxergam um futuro na organização.
CHEFES ANTIQUADOS E "DEMISSÃO SILENCIOSA"
A geração Z não está se demitindo, eles estão escolhendo ativamente onde investir sua energia. Se os líderes não evoluírem, o desengajamento não é um mistério, é uma consequência previsível. Mas, para as empresas que adotam bondade, justiça e estrutura, o jovens não só vão continuar no emprego como também vão se destacar.
A questão não é se a geração Z está disposta a trabalhar duro. A verdadeira questão é: os líderes estão dispostos a evoluir?